domingo, 25 de novembro de 2012

HERMENÊUTICA - AULA 1



Queridos, segue o guia da aula de terça, dia 04 de dezembro, no IBNA.
Espero poder contribuir com o crescimento de todos que compartilham esse blog.

Hermenêutica é a ciência e arte de interpretar. É ciência porque postula princípios seguros e imutáveis; é arte porque estabelece regras práticas. É um ramo da filosofia e estuda a teoria da interpretação, que pode referir-se tanto à arte da interpretação, ou a teoria e treino de interpretação.

     A hermenêutica tradicional se refere ao estudo da interpretação de textos escritos, especialmente nas áreas de literatura, religião e direito.

     A hermenêutica moderna, ou contemporânea, engloba não somente textos escritos, mas também tudo que há no processo interpretativo. Isso inclui formas verbais e não-verbais de comunicação, assim como aspectos que afetam a comunicação, como proposições, pressupostos, o significado e a filosofia da linguagem.   
      
 A Hermenêutica, então, é uma análise da compreensão “a partir da natureza da linguagem e das condições basilares da relação entre o falante e o ouvinte”.
    
 Os costumes, cultura e etnias são alguns dos aspectos fundamentais para se ter uma legítima interpretação do texto.
   
  A Hermenêutica Bíblica pretende estudar os princípios da interpretação da Bíblia enquanto uma coleção de livros sagrados e divinamente inspirados. No Cristianismo, esta interpretação é estudada e obtida através da exegese. A hermenêutica bíblica se utiliza de outros princípios comuns aos demais tipos de hermenêutica, como por exemplo, a hermenêutica jurídica que segue os princípios da inegabilidade do ponto de partida.  Em verdade, a hermenêutica bíblica não deve se afastar do texto bíblico.
  
   O principal objetivo da hermenêutica bíblica é o de descobrir a intenção original do autor bíblico. No caso dos textos da Bíblia o leitor, ao menos 
racionalmente, não tem acesso direto ao autor original. Por isso é necessário aplicar princípios da hermenêutica (a ciência da interpretação) ao texto bíblico.
   
  Além do fator de separação pessoal entre o leitor atual e o autor original, há outras barreiras para a compreensão. Os últimos e mais recentes livros da Bíblia foram escritos há cerca de dois mil anos atrás. Além da distância de tempo, há diferenças de idioma, pois a Bíblia foi escrita originalmente em hebraico, aramaico e grego. Há ainda diferenças culturais e de costumes que separam os leitores atuais dos autores originais da Bíblia. Alguns exemplos são o sistema de sacerdotes e sacrifícios da Lei de Moisés no Antigo Testamento, e o uso do véu por mulheres no Novo Testamento.
    
 Exegese é a interpretação profunda de um texto bíblico, jurídico ou literário. A exegese como todo saber, tem práticas implícitas e intuitivas. A tarefa da exegese dos textos sagrados da Bíblia tem uma prioridade e anterioridade em relação a outros textos. Isto é, os textos sagrados são os primeiros dos quais se ocuparam os exegetas na tarefa de interpretar e dar seu significado. A palavra exegese é oriunda do grego exegeomai, exegesis: ex tem o sentido de retirar, derivar, ex-trair, ex-ternar, ex-teriorizar, ex-por e "hegeisthai" o de conduzir, guiar. Por isso, o termo exegese significa, como interpretação, revelar o sentido de algo ligado ao mundo do humano, mas a prática se orientou no sentido de reservar a palavra para a interpretação dos textos bíblicos.
       
   Exegese, portanto, é a denominação que se confere à interpretação das Sagradas Escrituras desde o século II da Era Cristã. O termo exegese sempre esteve ligado à interpretação alegórica, ensejando assim abusos de interpretação, a ponto de alguns autores afirmarem, ironicamente, que a Bíblia seria um livro onde cada qual procura o que deseja e sempre encontra o que procura.
    
 Ser exegeta é contextualizar o que foi escrito com a cultura da época e extrair os princípios morais para o tempo presente.
Em exegese bíblica, a expressão sensus plenior (do latim "sentido mais pleno") é usada para descrever "um sentido mais profundo do texto, desejado por Deus, mas não claramente pelo autor humano".



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

INTRODUÇÃO BÍBLICA

    Mais de um ano depois, estou de volta! A partir desta data publicarei semanalmente o conteúdo das aulas a serem ministradas no Instituto Bíblico IBNA (Galo Branco-SG). 
     Durante o próximo bimestre a disciplina será "Hermenêutica" (no bimestre seguinte, provavelmente "Panorama do Novo Testamento"), entretanto antes de entrar no conteúdo programático da matéria darei um "picelada" superficial de Introdução Bíblica a fim de viabilizar um conhecimento da disposição física dos livros de forma que facilite a localização dos textos utilizados durantes as aulas.
       A retomada do "Blog" está sendo motivada por essa empreitada desafiadora de lecionar, mas trará à reboque outros "post's" com as mais diversas temáticas. Meu desejo é tornar este Blog uma bancada para exposição de opiniões sobre todos os assuntos publicados.

INTRODUÇÃO BÍBLICA
   
COMPOSIÇÃO – A Bíblia é composta por 66 livros, sendo 39 no Velho Testamento e 27 no Novo Testamento; foi escrita num lapso de tempo de + 1500 anos por cerca de 40 autores.
    A palavra Bílbia deriva do radical grego Biblion que quer dizer “Livro por  Excelência”. A divisão em Capítulos e Versículos não é de Inspiração Divina, sendo obra meramente humana para facilitar o manuseio do Livro Sagrado. A primeira divisão em capítulos é obra do Cardial Hugo, falecido em 1263; a divisão em versículos teve sua primeira versão em 1551, pela mãos de Robert Stevens.
     A Bíblia é dividida em dois grandes blocos: Velho Testamento (VT), e Novo testamento (NT). A palavra Testamento, no contexto Bíblico, tem o significado de Pacto ou Convênio”; sendo assim o VT é o Pacto de Deus com seu povo antes de Cristo e o NT é o Pacto que se tornou possível mediante o Sacrifício Vicário de Cristo.
     Os manuscritos originais da Bíblia foram escritos em papiro e pergaminho, material frágil e de fácil deterioração. As compilações eram feitas por religiosos denominados Escribas.

    As Línguas em que foram escritos os Testamentos são:

VELHO TESTAMENTO
*  Hebraico
*  Aramaico: + 6 capítulos de Daniel – 2:4 a 7:28, + 3 capítulos de Esdras – 4:8 a 6:18, 7:12 a 16 e Jeremias 10:11
NOVO TESTAMENTO
* Grego
      Apenas 8 Livros do VT não são citados no NT: Esdras, Neemias, Ester, Eclesiastes, Cantares de Salomão, Obadias, Naum e Sofonias.

      Os Testamentos se subdividem em cinco grupos cada um, a saber:

VELHO TESTAMENTO
·          
      PENTATEUCO – 5 – Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio;
·         HISTÓRICOS – 12 –Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias e Ester;
·         POÉTICOS – 5 – Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão;
·         PROFETAS MAIORES - 5 – Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel e Daniel; e
·         PROFETAS MENORES – 12 – Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

NOVO TESTAMENTO
·          
      EVANGELHOS – 4 – Mateus, Marcos, Lucas e João;
·         HISTÓRICO – 1 – Atos;
·         CARTAS PAULINAS – 13 – Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito e Filemon;
·         CARTAS GERAIS – 8 – Hebreus, Tiago, I e II Pedro, I II e III João e Judas; e
·         PROFÉTICO – 1 – Apocalipse.
CURIOSIDADES
·    
          66 Livros – 39 VT // 27 NT
·       1.189 Capítulos
·       31.173 Versículos
·       773.692 Palavras
·       3.566.480 Letras
·       Livro do meio: Naum e Miquéias
·       Capítulo do meio: Salmo 117
·       Livro menor: II João
·       Capítulo menor: Salmo 117
·       Versículo menor: Êxodo 20:13 e Deuteronômio 5:17
·       Livro maior: Salmos
·       Capítulo maior: Salmo 119
·       Versículo maior: Ester 8:9 
    
    Obs: As informações sobre Palavras e letras, levam em consideração os manuscritos originais (Hebraico, Aramaico e Grego).