sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

"Encontros e Desencontros"

Lição do Caminho de Maturidade, escrita e ministrada por Alexandre Vilmar em 20 de janeiro de 2013.


VERSO CHAVE: Ex 5 -1  Depois, foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Deixai ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto
Êx 5-1 registra o primeiro encontro de Moisés com Faraó.  De um lado temos um indivíduo que está cumprindo uma ordem divina, alguém com ouvidos e coração abertos para o que Deus tem a dizer, do outro lado alguém que não dá ouvidos a voz de Deus, que não o conhece e também não está interessado em conhecê-lo.
Há um perceptível confronto de poderes, entre Moisés, um ancião de 80 anos, que recebeu um chamado para colocar em pratica o “plano de libertação” para os hebreus e Faraó, um jovem de aproximadamente 22 anos, que com intrepidez e dureza de coração tenta se opor ao plano divino. A diferença de idade é um fato marcante neste confronto, que vai muito além da faixa etária, a origem de sangue, o nível social, a condição física e o maior de todos os confrontos; os de valores e princípios que estavam agregados ao caráter deles, o que gerou um grande conflito entre a humildade e a arrogância.
Moisés com uma visão de vida muito mais ampla, contava com uma experiência de 40 anos de Egito, onde teve a educação de príncipe, foi instruído em toda a ciência e sabedoria, que  eram as mais evoluídas e desenvolvidas da época, a permanência no palácio contribuiu para fazê-lo “poderoso em suas palavras e obras” (At 7:22), ou seja esse período foi importante para que aprendesse a ser alguém, contou também com uma bagagem de mais 40 anos no deserto, onde desaprendeu a língua egípcia, assim como a própria língua a hebraica, aprendeu a humildade da vida simples de pastor de ovelhas, aprendeu o trabalho, e conheceu o deserto através do qual conduziria Israel, além disso conheceu a Deus pessoalmente,   no deserto aprendeu a ser um ninguém, pois não passava de um “peregrino em terra estranha.
Faraó, um jovem “imaturo”, se considerava o deus solar do Egito (Rá), nada menos que o homem mais poderoso da época, chefe da maior potência do mundo, não era apenas um deus, mas chamado de “o deus perfeito”, adorado, orgulhoso e arrogante.
E agora, o que se vê é “um Zé ninguém”, Moisés, em nome do Senhor Deus de Israel, um Deus invisível, desconhecido  pelos egípcio, mito da pior casta da terra,  um povo miserável  que depois de 400 anos trabalhando como escravos, necessitavam da manifestação divina para fazer distinção entre a mentira e verdade, diante de Faraó, a própria deidade do Egito.

Fica fácil visualizar o orgulho de Faraó, ao questionar: “Quem é o Senhor? Não conheço o Senhor”, foi o que Faraó disse, com arrogância, desprezando Moisés, e sua proposta para que deixasse o povo sacrificar a Deus

Depois de desprezar o pedido de Moisés, Faraó dobra a carga de trabalho e açoita o povo de Israel, que amargurado, revoltado e tomado por grande desanimo se queixa, e culpa Moisés, pois, esperavam que Deus os ia salvar, mas as coisas iam de mal a pior, agora Moisés tem mais um confronto, desta vez com o próprio povo Israelita, que aguarda ansiosamente por uma resposta.
Na qualidade de mediador, Moisés apresenta a Deus o sofrimento do povo e sua culpa, desesperança, insegurança e impotência em dar uma resposta.  Deus responde assegurando que a situação desesperadora seria a ocasião perfeita para que Ele entrasse em ação poderosamente.
Disse Deus. — Eu vou cumprir a Minha promessa. Mas, Faraó vai ter de aprender duras lições, por não Me obedecer. E o Meu Povo conhecerá como Eu sou grande e poderoso.
Moisés, após ser constituído como Deus sobre Faraó, e Arão seu profeta, voltaram à presença do rei e avisaram-no de que, se não obedecesse a Deus e libertasse o Seu povo, toda a sorte de calamidades atingiria o Egito. Mas o Faraó novamente fez pouco deles e recusou-se a dar-lhes ouvidos, mesmo após o bordão de Arão devorar o bordão dos magos e encantadores egípcios.

Deus cumpriu a sua promessa e o Egito foi castigado por pragas todas por ordem de Deus. As pragas foram sinais divinos que demonstraram a supremacia do Senhor e atos divinos pelos quais Deus julgou os egípcios e libertou seu povo.  Ocorreram na hora predita por Moisés, tinham intensidade extraordinária e só foram removidas pela intervenção de Moisés.  Além disso, Deus fez distinção entre os egípcios e os israelitas não castigando os hebreus com as ultimas sete pragas.

As pragas foram a resposta de Deus a pergunta de Faraó: “Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei?”

Parece ficar claro também que as pragas, sinalizam um confronto entre o místico e o verdadeiro, onde Deus desafia os deuses egípcios, desconstruído seus ídolos e censurando sua forma politeísta e idolatra já que prestavam culto as forças da natureza tais como o rio Nilo, o Sol, a Lua, a Terra, o touro, e muitos outros animais.  Agora as divindades egípcias ficaram em evidente demonstração de impotência diante do Senhor, não podendo proteger aos egípcios nem intervir a favor de ninguém.

As três primeiras pragas: sangue, rãs e piolhos caíram tanto sobre Israel como nos egípcios, pois Deus queria ensinar a ambos os povos sobre quem era o senhor. Mas as sete seguintes castigaram somente aos egípcios para que soubessem que o Deus que cuidava de Israel era também o Soberano e mais forte.

Os feiticeiros imitaram os dois primeiros açoites, mas quando o Egito foi ferido pelos piolhos, confessaram que o poder de Deus era superior ao deles e que esta praga era realmente sobrenatural.  Os magos não tiveram de reproduzir a praga da ulcera porque eles próprios estavam cheios delas desde os pés até a cabeça. Não puderam livra-se a si mesmos dos terríveis juízos muito menos a todo o Egito.

Em resumo as pragas não só demonstraram a supremacia do Senhor,  como também  desmistificar e aniquilar as divindades egípcias, castigaram os egípcios por haverem oprimido aos israelitas, efetuaram o livramento de Israel e os prepararam para uma vida de obediência e fé.

A maior característica de Faraó foi a total ausência do verdadeiro arrependimento, aquele que nos leva ao reconhecimento da necessidade que todo nós temos de Deus. A bíblia mostra que o Senhor foi quem endureceu o coração de faraó (4.21), entretanto, o orgulho já tinha dominado seu coração, ele tinha a pretensão de ser opositor de Deus que usa a oportunidade para manifestar seu poder, misericórdia e graça não  somente entre egípcios e israelitas mas também em outras nações.

 



 



"Morte dos Primogênitos - Afirmação da Graça"



 A série de estudos que estamos compartilhando neste bimestre tem o objetivo de nos conduzir a um “novo nível de relacionamento com Deus” analisando o caráter de Moisés, sua personalidade marcante, sua história pessoal no contexto da formação do povo hebreu, seus dilemas e a complexidade da sua relação com Deus. Entretanto, o tema que passaremos a considerar precisa ser observado por outro prisma: o prenúncio da salvação mediante o Sangue de Cristo; a relação entre o sangue do cordeiro sacrificado em holocausto passado nos umbrais da portas dos hebreus para salvar os primogênitos da morte que seria enviada (Ex 12.1-13), e o sangue do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), vertido na cruz do Calvário, para salvar a todo aquele que Nele crê (Jo 3.16). Nessa expectativa passaremos a observar dois tópicos, precedidos de uma análise pontual sobre a substância “sangue”:

· A condição: “O Sangue”
· Morte para uns, vida para outros

Sangue

 Fluido viscoso e vermelho, essencial à vida biológica, que flui pelo organismo inteiro através do sistema circulatório, levando oxigênio e nutrientes aos tecidos e, ao mesmo tempo, removendo o dióxido de carbono e outros materiais decompostos. Nesse sentido literal, o sangue é freqüentemente mencionado nas Escrituras (Gn 37.31; Ex 23.18; II Sm 20.12; I Re 18.28; Lc 13.1), onde a alusão é o sangue tanto de seres humanos quanto de animais irracionais.

A ciência, através de estudos e pesquisas, só começou a dar importância ao sangue há cerca de 400 anos; até então, somente a Bíblia dava a essa substância o merecido lugar de destaque. Moisés, cerca de 1.400 anos antes de Cristo, já proclamava que "a alma da carne está no sangue... é o sangue que fará expiação da alma" (Lv 17.11). A declaração de Moisés abrange uma grande verdade de ordem espiritual que somente foi compreendida após a consumação da obra redentora de Jesus Cristo no Calvário.

No ano de 1628 (isto é, 3.028 anos após Moisés haver proclamado o valor do sangue como vida e como elemento de redenção da alma), o médico inglês William Harvey publicou o primeiro trabalho científico no qual mostrava que o sangue circula pelo corpo bombeado pelo coração. Mesmo assim os homens de então deram pouca importância a essa descoberta.

 No Antigo Testamento, a palavra hebraica dam, "sangue", aparece 362 vezes, das quais 203 como descrições de mortes violentas, e 103 vezes em alusão a sacrifícios cruéis. Em três passagens do Antigo Testamento, o sangue é diretamente vinculado ao princípio da vida (Gn 9.4; Dt 12.23 e Lv 17.11). O texto de Levítico mostra que, por causa desse conceito, surgiu a idéia da expiação pelo sangue.

Visto que o uso do sangue no holocausto requer a morte de alguma vítima, ele também estava associado à morte, na antiga cultura dos hebreus. De modo geral, temos nesses holocaustos alguma vida que era oferecida a Deus, envolvendo o supremo sacrifício da vítima, a saber, a sua morte. Em tudo isso fica subentendida a seriedade do pecado, porquanto o pecado requer um remédio radical: a expiação é obtida através da morte da vítima.

A condição: “O Sangue”

Após uma série de nove pragas, a derradeira marcaria para sempre o povo hebreu sob vários aspectos. 400 anos de escravidão no Egito estavam para cessar; Moisés recebe do Senhor as instruções para os preparativos da saída do povo que, originalmente, habitava nas terras de Gósen, entre elas a instituição da páscoa e a “marcação” dos portais com o sangue do cordeiro pascal para que ao passar o Senhor pela terra do Egito, identificasse as casas hebréias e não houvesse morte nelas (Ex 12.1-13).
 
É evidente que para evitar a morte em seu lar, o hebreu deveria cumprir as orientações dadas por Moisés, ou seja, holocausto do cordeiro – refeição familiar com o consumo da carne do cordeiro – “cobertura” do sangue do cordeiro, marcando os umbrais das portas de suas casas.

A relação direta entre a instituição da páscoa judaica, a salvação proporcionada àqueles que estivessem “cobertos” pelo sangue do cordeiro (Ex 12.1-13) e a Ceia do Senhor (Mt 26.19-30) e Seu sacrifício de cruz (Mt 27.33-56), é perfeitamente compreendida, senão vejamos:
· Os hebreus deveriam oferecer um cordeiro em Holocausto – Cristo deu a sua vida em sacrifício (Jo 10.17-18);
· Os hebreus deveriam comer a carne do cordeiro – na última ceia, Cristo, que é o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29b), ordena em relação ao pão: “Tomai, comei, isto é o meu corpo.” (Mt 26.26b); e
· Os hebreus deveriam passar o sangue do cordeiro nos umbrais das portas para terem seus primogênitos salvos da morte – o sangue de Jesus derramado por nós nos livra dos nossos pecados e da morte eterna (Mt 26.28 e Cl 1.14).

Morte para uns, vida para outros

Na narrativa do êxodo, as orientações mosaicas implicam automaticamente na salvação de uns em detrimento da morte de outros, ou seja, os que as cumprissem seriam poupados da morte dos primogênitos, todos os demais passariam por uma das mais horrendas experiências humanas: a morte de um filho em seu lar. É interessante notar que os hebreus que não marcassem seus umbrais sofreriam as mesmas conseqüências dos egípcios, independente de sua origem.

O sacrifício de Cristo tem a mesma conotação de “morte para uns, vida para outros” visto que a condicional (sangue nos umbrais – Ex 12.7) ainda está presente (arrependimento e aceitação do Jesus como Salvador e Senhor – Jo 1.11-12; I Jo 1.9).

Conclusão

     Diante de tudo que vimos até aqui podemos visualizar a ponte, ou na linguagem mais contemporânea, o “link”, que existe entre a páscoa judaica, e todos os aspectos envoltos nela, inclusive alguns que não foram alvo de nossa abordagem, como por exemplo, o consumo de ervas amargas contrastando com a expressão “homem de dores”, e muitas outras que poderíamos ter citado.e a Ceia do Senhor e seu sacrifício cabal.

     Uma questão extremamente importante que precisa ser observada é que a morte e ressurreição de Cristo poderia ter se dado em qualquer época do ano, mas aconteceu justamente durante uma das mais importantes celebrações da cultura judaica, qual seja, a páscoa.
     
       Essa lição foi escrita por Mario Hermes, membro do Conselho de Ensino da ORLASG. .

 


 


         

domingo, 13 de janeiro de 2013

O caminho no deserto

Dando continuidade a série de estudos "MOISÈS - Uma História que nos leva a um novo nível de relacionamento com Deus", segue a lição de 13/01: "O caminho do Deserto", escrita por Marcus Vinícius, membro do Conselho de Ensino da ORLASG.



Introdução:


     Nesta segunda aula sobre Moisés, vamos refletir um pouco sobre o chamado de Moisés, o aprendizado e a obra desafiadora, utilizaremos o texto base de Êxodo 3 e 4 para aprofundarmos no conhecimento da nossa proposta.

     O tema “O caminho no deserto” foi dividido em três importantes partes:
·

· Sarça, Deus chamando a atenção;
· A escola da auto-descoberta;
· A missão e seus desafios.




   Sarça, Deus chamando a atenção:

Deus usa do sobrenatural com Moisés para chamar a sua atenção. Perceba que ao ver que a Sarça não se consumia (Ex. 3.2), houve um despertamento em Moisés para constatar o que acontecia ali, interessante frisar que ao chamar Moisés pelo nome, não houve dúvida no coração de Moisés, ele sabia que algo sobrenatural estava acontecendo e estava disposto a entender o porquê daquela visão.

     De que maneiras hoje Deus tem chamado sua atenção? Você tem se apercebido disto?

     Se sim, de que forma tem se apresentado ao Senhor (Deus diz a Moisés que para se achegar a sua presença não pode ser de qualquer jeito, ele precisa retirar a sandália pois aquele lugar é santo).

A escola da auto-descoberta:

     Moisés recebe instruções divinas para fazer o que Deus espera que ele realmente faça, mesmo assim Moisés se diz inapto, incapaz de realizar aquilo que Deus quer que ele realize. Percebemos aqui mediante a irritação divina, que Moisés tentou de todas as formas se esquivar daquela missão proposta por Deus, diversas desculpas  fizeram com que Deus mesmo depois de dizer o que queria e ensinar o que Moisés deveria fazer, pudesse dividir a responsabilidade com o seu irmão Arão, porém, Deus deixa muito claro em Ex. 4.16 que o responsável em transmitir o que Deus espera é Moisés, e ele iria instruir Arão, pois, Deus seria com Moisés e Arão seria a boca de Moisés para o povo.


· Quantos de nós precisam aprender com Deus, através das escrituras, do ouvir, do viver um relacionamento pessoal intenso com a Pai?
· Quantos de nós precisam deixar de dar qualquer tipo de desculpa esfarrapada para não fazer a obra proposta por Deus?
· Precisamos entender que é comigo e com você e não com o outro.


A missão e seus desafios:

     Qual o seu chamado? Qual o seu ministério? Pra quê Deus te chamou a divina luz? Ficar em um banco de Igreja, deixando o tempo passar, almas necessitando de Deus, vivendo sem Deus ou melhor, sobrevivendo sem Deus, morrendo sem Deus e após a missão proposta você ainda continua inerte? 
     Apesar de Moisés colocar vários empecilhos para fazer a obra proposta por Deus para sua vida, ele chega para seu sogro Jetro e diz:  “Eu irei agora, e tornarei a meus irmãos, que estão no Egito, para ver se ainda vivem. Disse, pois, Jetro a Moisés: Vai em paz. 
     Êxodo 4:18”. Ainda existia no coração de Moisés a dúvida, dúvida sobre sua capacidade, será que o povo creria? Será que eu tenho condições? Podemos aprender com esta experiência de Moisés que os conflitos internos eles existirão, as preocupações, os medos, porém, devemos também buscar o entendimento que a obra não é nossa, ela é do Senhor, e se ela é do Senhor, ela não vai fracassar, apesar de mim.
Conclusão:

     Nesses dois capítulos de Ex. 3 e 4, aprendemos lições importantes, que se conseguirmos levar para nossa vida diária com o nosso Deus, chegaremos a um nível de relacionamento melhor:

· Deus é Santo, eu não;
· Se Deus me escolheu para uma missão, ele sabe o porquê, ainda que eu não entenda ou não me ache capaz;
· Apesar de mim o que Deus espera que aconteça vai acontecer.