sábado, 30 de março de 2013

"O GUERREIRO CRISTÃO"



    Lição a ser ministrada por Nádia Regina, Ministra de Intecessão da ORLASG, em 28 de abril.

  Uma idéia tem se espalhado de que de alguma forma somos imunes ao ataque do diabo e suas hostes.  Os que assim pensam defendem que “se você é crente, Satanás nada pode contra você”.  Esta noção tem levado muitos a uma falsa segurança contrária ao que a Palavra nos indica.
     Paulo declara a verdade da luta espiritual em Efésios 6.10-19.  Neste texto ele roga que tomemos toda armadura de Deus para podermos ficar firmes.  Ora, este tipo de apelo indica que corremos o risco de sermos tocados e até derrotados se não estivermos atentos.
     Pedro alerta da mesma forma (I Pedro 5.6-9) e apresenta o inimigo como um leão que está à espera de uma brecha.  É preciso resistir, porque senão os resultados podem ser maus.

     Em relação a isto gostaria de fazer uma divisão simples.  Os ataques do inimigo acontecerão na vida de todos os crentes verdadeiros, pois ao se tornarem filhos de Deus se tornaram também seus inimigos mortais.  Há, porém, uma diferença: Satanás pode atacar e ataca aqueles que caem em pecado.  O pecado é uma porta para a ação do inimigo.  Ele é ladrão e está acostumado a pular o muro (João 10.1), portanto, não perderá a oportunidade de entrar nas brechas que o pecado abrir em nossas vidas.  Todo pecado consciente, não confessado, abre portas para a atuação direta do maligno em nossas vidas e entristece o Espírito Santo.  A solução é andar na luz (Efésios 5.8), confessar os pecados (I João 1.9) e buscar a santidade (Hebreus 12.14).

     Satanás pode atacar e ataca mesmo os crentes que não lhe dão brechas pelo pecado.  O exemplo mais clássico é o de Jó.  Fica claro nesse livro pelo menos uma coisa: o inimigo pode atacar severamente um crente cuja vida é exemplar.  Trata-se de um fato para o qual devemos estar preparados.  Guerra é guerra!

     Outra consideração pertinente neste contexto é a questão do envolvimento do crente na obra.  Se for verdade que o inimigo ataca a todos, é também fácil de entender que ele atacará com mais força aqueles que estão mais envolvidos, pois representam maior perigo para o seu reino.  Se você está na frente de batalha, como por exemplo, os missionários (sejam eles urbanos, nacionais ou transculturais), então é certo que os ataques serão mais severos.  No caso do missionário transcultural há ainda a agravante de ele desconhecer a cultura e os costumes da terra o que o torna vulnerável a ataques que de outra forma El poderia evitar.  Um dos maiores exemplos disso é a vida do apóstolo Paulo que sendo um servo de Deus que todos admiramos fala claramente sobre as lutas tremendas que teve que atravessar vezes sem conta (II Coríntios 11.23-33).  Se precisarmos de mais exemplos é só ler qualquer biografia missionária.

      O caráter do Guerreiro
     A fim de estar preparado para a Batalha Espiritual, o guerreiro cristão precisa atender a determinados critérios estabelecidos pela Palavra de Deus:
- Em primeiro lugar, ele precisa ser nascido de novo, ter-se tornado uma nova criatura pela fé no Senhor Jesus Cristo (I João 5.18);
- Em segundo lugar, ele tem de ter a certeza de que é alguém liberto das trevas e que não abre espaço em sua vida para as obras perversas do pecado, nem para os valores que patrocinam o reino da escuridão com vícios, imoralidade, mentira, idolatria e outros vínculos comprometedores (Atos 19.13-17; I Pedro 2.9-10);
- Em terceiro lugar, uma condição para a batalha é que o guerreiro mantenha uma vida pura e santificada (I Timóteo 4.12);
- Além disso, ele precisa buscar andar cheio do Espírito Santo (Lucas 4.1, 18-19); e
- Outra condição é que ele mantenha rigorosa vigilância para não ser surpreendido pela distração espiritual ou pela imprudência de suas palavras e atitudes (Efésios 4.26-27; Tiago 4.7).

      A armadura do Guerreiro
     Já citamos o texto anteriormente, mas agora votamos a ele para que você possa compreender eu espécie de armadura é essa de que precisamos estar vestidos todos os momentos da nossa vida:
- O Cinturão da Verdade;
- A Couraça da Justiça;
- Os Calçados na preparação do Evangelho da Paz;
- O Capacete da Salvação;
- A Espada do espírito, que é a Palavra de Deus; e
- A oração e súplica em todo tempo.

       As Armas do Guerreiro
     Vamos começar considerando a natureza das armas que o guerreiro cristão deve usar.  O apóstolo Paulo trata disto em II Coríntios 10.3-6: “Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição de fortalezas; destruindo os conselhos e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo, e estando prontos para vingar toda desobediência, quando for cumprida a vossa obediência”.

     Logo, a primeira coisa que temos de entender é que as nossas armas não são carnais.  Não vamos obter a vitória com os métodos, nem a estratégia ou as forças humanas.  Nossas armas são as já experimentadas e aprovadas armas espirituais, que nos são providenciadas pelo Senhor: a Sua Palavra, o poder e o discernimento do Seu Espírito Santo, o nome magnífico e poderoso do Senhor Jesus Cristo, a oração, a verdade, a justiça, os dons espirituais e tudo que o nosso Deus coloca ao nosso dispor através da Cruz do Calvário e da ressurreição do Seu Filho.

    Defesa – A Batalha Espiritual a nível pessoal e familiar
     Todo aquele que se envolve na obra de Deus terá eventualmente que lutar para a libertação de outras pessoas da garras do inimigo.  Mas, e de uma forma muitas vezes mais intensa, terá também que lutar para defender sua família e sua vida e ministério dos ataques do inimigo.

     Como já vimos a batalha é real e o inimigo não nos respeita pelo fato de sermos servos de Deus.  Seu objetivo é nos fazer cair.  Se não puder nos derrubar, vai procurar nos causar dor e sofrimento e a verdade é que isso se passará enquanto estivermos neste mundo.  Somos forasteiros aqui (I Pedro 2.11).  Todo estrangeiro sabe como é dura a vida fora de sua terra.  Quantas saudades, quantos choques, quanta luta.  Nós somos cidadãos do céu para onde caminhamos (Hebreus 12.22).  Não vejamos, porém, estas dificuldades como algo que nos desanima.  A luta e o sofrimento daqui não se pode comparar com o que nos espera (Romanos 8.18).  Há, porém muito que podemos fazer para minorar esta dor pelo poder do Senhor que em nós habita (I João 4.4b).  Vejamos então, algumas situações nas quais o conhecimento prévio das artimanhas do maligno pode nos ajudar (II Coríntios 2.11).

- Filhos pequenos
   Enquanto nossas crianças são pequena é nossa responsabilidade protegê-las do inimigo.  Devemos ensiná-las desde cedo como entregar suas vidas a Jesus e como lidar com o maligno.  Mas será necessário muito discernimento e sensibilidade espiritual para ajudá-los no dia a dia.

   É preciso saber em que gastam seu tempo, que tipo de coisas assistem na TV ou vídeo, que tipos de jogos jogam no computador, que tipo de site visitam na internet.  O diabo é perito em meios de comunicação e os utiliza para conquistar os corações de nossos pequeninos.  Sejamos sábios e seletivos.  O inimigo gosta de controlar vidas desde o início (Marcos 9.21).  Muitas destas programações de hoje são introduções à bruxaria e feitiçaria.  Estejamos atentos.  Se necessário, ore com a criança e a dirija a pedir perdão pelo que assistiu e a quebrar todo efeito quês estas coisas tiveram sobre ela.

   Hoje vai crescendo a influência da “Nova Era” nas escolas.  Há colégios que ensinam técnicas de meditação que mais não são que o abrir das mentes das crianças para influencias malignas.  Procure saber que atividades são feitas na escola de sues filhos.  Leia os materiais de estudo.  Todo cuidado é pouco!

     Exemplo 1:  
     Menino de 5 anos que passou a ter terríveis pesadelos e a temer o escuro.  Os pais não sabiam o que fazer, pois o medo da criança parecia crescer a cada dia.  Finalmente oraram por sabedoria e o Senhor lhes revelou a influência de um vídeo infantil que o menino muito gostava.  Nesse filme havia a figura de uma bruxa que sobressaía.  Desfizeram-se do filme e oraram com a criança em seu quarto assumindo autoridade no Senhor.  A criança voltou a dormir sem qualquer problema.
      Exemplo 2:
     Menina de 4 anos que era muito meiga e obediente e de um dia para outro passou a ser rebelde e malcriada.  Os pais ficaram perplexos e buscaram ajuda psicológica.  As coisas só pioraram.  Já sem saber o que fazer e com o ambiente familiar degenerando a passos largos e afetando o próprio casamento dos pais, foram ao pastor de sua igreja.  Com um pouco de conversa se descobriu que a criança em seu jardim de infância aprendera a fazer relaxamento e meditação.  Fora instruída a imaginar um amigo da fantasia.  No seu caso era um ursinho verde.  Esse suposto amigo lhe falava à mente e lhe dava ordens.  Ameaçava atacar seus pais se não obedecesse.  Através da oração o “amigo” foi embora e a criança voltou ao normal.

     Há muitos livros bons no mercado sobre isso como “A sedução de seus filhos” e outros.  Não deixe seus filhos sofrerem por falta de defesa.  A responsabilidade é nossa! Assumamos as trincheiras, pois 
a guerra é real e terrível.

  - Adolescente e Jovens
     Filhos mais velhos tem maior liberdade de ação e dever ter também maior conhecimento da luta espiritual para se defenderem.  Infelizmente isso nem sempre acontece e surge a necessidade de os pais assumirem posição de força em prol de seus filhos.

     Devemos verificar que tipo de filmes nossos filhos assistem, que tipo de música ouvem, quais companhias que tem.  Namoros com descrentes são particularmente perigosos.  Podemos não ter controle sobre essas coisas, mas devemos estar atentos pois elas podem desviar nossos filhos do Senhor e facilitar a ação de Satanás em suas vidas.  São conhecidas as histórias de jovens que até mataram sob o efeito de músicas de Rock pesado.  A pornografia hoje é de fácil acesso e vicia como qualquer droga, abrindo a porta das mente para a fantasia, reino do inimigo aonde ele pode facilmente dominar.  Amigos e namorados não crentes são pessoas que estão em trevas.  Através delas o inimigo pode prejudicar muito as vidas de nossas jóias.  A pressão do ambiente pode levar adolescentes e jovens mais fracos a cederem a coisas que dificilmente fariam de livre vontade como usar drogas, praticar sexo, fazer tatuagens e participar de cerimônias.  Não podemos ser ignorantes e pensar que isso só acontece com os outros.  O mal está em toda parte.
     Como em qualquer outra situação nossos filhos adolescentes e jovens podem estar sob a influência do inimigo e precisarem de libertação.  Será preciso ganhar sua confiança.  Investigar tudo o que se passou que abriu espaço para o diabo e fechar cada porta.  Depois é essencial que o jovem entenda sua responsabilidade de manter a vida pura diante de Deus e conservar as portas fechadas para o diabo.

- Costumes e Cultura
   O cristão pode ser atacado pessoalmente.  Isso sucederá se houver pecado escondido em sua vida.  Mas também pode acontecer que ele abra portas inadvertidamente ao trabalho maligno.  Num contexto transcultural há uma tensão entre a necessidade de se adaptar ao contexto e manter-se fora do raio de ação do mal. Nem sempre se consegue evitar todas as coisas, mas é preciso mais uma vez dependência de Deus e sensibilidade espiritual.
     Exemplo 1:
     Missionário recém chegado a contexto mulçumano.  No afã de ser aceito e se integrar, foi participar do culto em uma mesquita.  Tirou os sapatos, cumpriu os rituais de lavagem e inclinou-se como os demais com o rosto em terra.  Dias depois começou a ser atormentado com terríveis dores que não cediam a nada.  Tinha insônia e seu vigor espiritual foi a zero.  Compartilhando com outro colega mais experiente, percebeu que sua atitude na mesquita fora de adoração a outro que não Deus.  Ao curvar-se, tirar os sapatos, estava se colocando sob a influência que dominava aquele lugar.  Após oração de perdão e entrega ao Senhor, assumiu autoridade de Cristo e ficou imediatamente são física e espiritualmente.

     Exemplo 2:
     Missionário em contexto animista na África Negra.  Ao visitar aldeia foi muito bem recebido.  Um homem idoso da tribo lhe trouxe de presente uma escultura de madeira.  Ofereceu-lhe em alimento especial e falou várias frases em tom de invocação pedindo benção para o visitante.   O missionário aceitou tudo passivamente.  Ao regressar da aldeia notou que não tinha condições de orar.  Foi acometido de pesadelos tenebrosos. Sua saúde também sofreu.  Levou meses nesta situação e estava a ponto de deixar o campo quando foi acudido por um velho pastor nativo da mesma tribo que fora visitada.  O ancião lhe explicou que aquela visita a aldeia fora a causa de tudo.  O home que o recebera era o feiticeiro local.  A escultura recebida e colocada em posição de honra na casa do missionário, era representação de um espírito local.  A comida que comera era sacrificada aos espíritos regionais e as palavras de benção eram na verdade uma maldição antiga sobre a vida do visitante que aceitara tudo sem questionar.  Foi necessário orar por perdão, rejeitar a maldição, quebrar a escultura e restabelecer a autoridade Jesus naquela vida.  O missionário depois disto pode continuar no campo num ministério próspero.
     Será impossível alistar todas as artimanhas do maligno.  Justamente por isso salientamos de forma tão insistente a necessidade de discernimento espiritual.  Isso se obtém em oração e dependência de Deus.  É preciso estar em atitude de defesa ativa.  Não podemos ser passivos diante da situação de nosso mundo.  Temos que exercer a autoridade de Jesus em nossas vidas e nas vidas daqueles que somos chamados a ajudar.
     Alguns julgam que para se entrar nessa luta é preciso uma grande espiritualidade e experiência.  Na verdade todo crente já está na luta.  Não tem como se furtar.  O essencial é manter a vida limpa diante de Deus e não permitir pecados não confessados atravessando as linhas de comunicação com o céu.  A Autoridade não é nossa, é de Jesus.  Não é nossa força, é dEle.

     Ilustração:
     Um policial de trânsito recém formado foi para sua primeira blitz.  Parou no meio da pista e viu um enorme caminhão se aproximando.  Sabia o que tinha que fazer, mas o tamanho do caminhão o assustou.  Duvidou de sua capacidade.  Sentiu sua fraqueza diante daquele enorme veículo e colocou-se no lado da pista apenas a tempo de ver o carro passar.  Outro guarda mais experiente um pouco mais à frente foi para estrada levantou o braço, apitou e fez sinal de paragem e o caminhão parou sem oferecer resistência.  A diferença entre eles é que um estava medroso e o outro sabia que a autoridade que lhe fora delegada era suficiente para parar aquele carro que ele por sua própria força nunca poderia parar.
     Na Batalha Espiritual não precisamos de usar nossa força.  Tudo que precisamos fazer é exercer a autoridade que o Senhor nos delegou.  Foi isso que ele veio fazer, derrotar o inimigo (Colossenses 2.14-15). NEle somos mais do que vencedores.

"AS VÁRIAS DIMENSÕES DA BATALHA ESPIRITUAL"

     Lição a ser ministrada em 14 de abril.
 

     Nesta lição, vamos considerar as esferas em que se trava a luta contra as hostes da maldade, e, ainda, as expressões mais nítidas deste sistema satânico na sociedade e no mundo.

- A dimensão cósmica – na eternidade e na história da salvação

    Se analisarmos as Sagradas Escrituras, constataremos que Satanás foi originalmente um anjo, criado por Deus para honrar ao Seu Criador e servi-lo.   Mas, aquele que se chamava Lúcifer se insurgiu contra o Todo-Poderoso e quis usurpar-lhe o trono e o governo sobre todo o universo.  Por causa disto, Deus o expulsou dos céus.  Com ele insurgiram-se outros anjos que o acompanharam em sua queda.
     Desejamos discutir as várias dimensões em que o reino das trevas afeta uma comunidade e estabelece as suas fortalezas, escravizando pessoas e povos e condicionando-os aos seus valores perversos e deteriorados.
     Geralmente, os povos convivem com tais valores sem reagirem aos mesmos porque lhes parecem muito naturais e legítimos.  Esses valores são aceitos, celebrados e preservados através da música, do folclore, da arte cênica, do cinema, da televisão, da pintura, das artes plásticas e dos hábitos das pessoas.  São transmitidos às novas gerações através da educação nas famílias e dos currículos escolares.  São celebrados como normais de modo que o estilo de vida das pessoas se orienta pelos mesmos.  Mais que isto, as leis passam a legalizar tais aberrações e dar-lhes um caráter de oficialidade.  Resistir a tais valores ou combatê-los passa a ser considerado como atitude preconceituosa e hostil.  Logo, a performance profética da igreja é repudiada e gera antipatia.  Ser uma igreja relevante em uma sociedade assim é um desafio enorme.  Mas, é a vontade de Deus.  E, implica em grande tensão espiritual e até social.  Refiro-me a valores, hábitos e práticas de uma determinada sociedade que a Bíblia repudia e condena, tais como: a idolatria, a feitiçaria, a corrupção, a opressão das classes menos privilegiadas, o adultério, a imoralidade, a violência, o consumo e tráfico de drogas, o suborno e outros tantos.  Há sociedades que estão submersas em maior ou menor grau a estes males, algumas há centenas ou milhares de anos.  Libertar as pessoas e culturas destes valores pervertidos é tarefa difícil.

- A dimensão histórica

   Outra dimensão em que a atuação maligna se desenvolve de modo ativo é a histórica.  O missionário que entra em uma determinada cultura precisa buscar conhecer um pouco da história daquela comunidade.  A história denuncia muitas das forças que estão atuando ali.  Há situações recorrentes e repetitivas.  Alguns tipos de vícios se tornaram crônicos.  Líderes públicos, por exemplo, têm sido mensageiros do mal através da história. 

- A dimensão cultural

  Quanto mais tempo o evangelho se demora para adentrar uma determinada cultura, mais esta cultura é afetada pelas conseqüências do pecado e pelos valores do reino das trevas.  Ao longo de centenas e até milhares de anos, o reino de Satanás estabelece suas fortalezas e cristaliza suas influências em uma determinada cultura.  Naturalmente, o inimigo se posiciona como se fora senhor definitivo daquele povo e resiste a qualquer ameaça contra sua hegemonia ali.  Tal resistência representa intensidade na Batalha Espiritual que os cristãos terão que enfrentar.  Um dos fatores dificultadores da Bata lha Espiritual na dimensão cultural é que os valores celebrados naquela comunidade se tornam tradicionais e são interpretados pelo povo como fatores inalienáveis de sua identidade e indispensáveis à preservação da sua unidade e sobrevivência.  Logo, contestá-los representa ofensa e muitas vezes esbarram em impedimentos legais estabelecidos para preservar aquela tradição.  Exemplos disso podemos encontrar em comunidades nas quais a cultura e o folclore celebram a idolatria, a feitiçaria, o animismo, a prostituição, o homossexualismo e a corrupção. 

- A dimensão social

   Não há dúvidas de que o império das trevas afeta o nível social da vida dos povos nos quais se estabelece.  A miséria, o analfabetismo epidêmico, a opressão que classes sociais privilegiadas impõem sobre outras, a impunidade estabelecida e institucionalizada, e outros males sociais, constituem formas perversas de Satanás estabelecer seu poder sobre povos, nações e comunidades.  N realidade, não me refiro neste sentido à pobreza, ao analfabetismo simplesmente ou a situações de limitação social e econômica.  Tais situações representam contingências desta vida e não significam nem o abandono de Deus, nem o domínio do diabo.  Refiro-me à exageração destas condições e ao seu estabelecimento de modo epidêmico e opressor, como condições que sintomatizam o império das trevas e do pecado, isto é, conseqüências diretas da desobediência a Deus.

- A dimensão pessoal
    Temos de analisar também a dimensão pessoal da Batalha Espiritual em seus vários níveis: espiritual, mental, emocional, moral, físico e dos relacionamentos, familiar e da igreja (II Coríntios 2.10-11; 10.3-6).  Vamos considerar estes aspectos de uma forma mais detida em um dos próximos capítulos. 
- A dimensão familiar    Não podemos desconhecer que uma das áreas prediletas para os ataques do inimigo é a família.  É fácil entender: em seu plano de estabelecer seus valores apodrecidos e deteriorados no mundo, é estratégico atingir os valores e as instituições básicas da sociedade – o casamento, o lar, a família, a fidelidade conjugal, a harmonia familiar, a autoridade paterna e materna saudável, o senhoria de Cristo na família.  Na medida em que o inimigo enfraquece tais valores, torna-se mais fácil para ele estabelecer na sociedade como um todo a prostituição institucionalizada, a violência, o tráfico de drogas, o alcoolismo, o desrespeito às autoridades, o crime organizado e outros males sociais que proliferam livremente em uma sociedade dominada por valores morais e éticos deteriorados.  Não é difícil entender então a campanha sistemática que a mídia, o pós-modernismo e outros segmentos satanizados da sociedade fazem no sentido de desmoralizar a instituição familiar, desdenhar do casamento e ridicularizar a pureza moral e fidelidade conjugal.
AS VÁRIAS FORMAS DE EXPRESSÃO DAS TREVAS NA SOCIEDADE
- O Satanismo
    Em 1999, pregando no púlpito da Primeira Igreja Batista de Fort Lauderdale, na Flórida, o Pastor Larry Thompson abordava a questão do satanismo, numa série de mensagens sob o tema “Face a face”.  Afirmava que a igreja de Satanás cresce mais rapidamente que qualquer outra denominação religiosa nos Estados Unidos, à exceção de uma denominação evangélica e uma religião não cristã.  Denunciava ser o mais intenso crescimento de uma organização religiosa entre jovens e adolescentes.  Tais índices podem ser bastante semelhantes em muitas outras partes do mundo. As pessoas que estão envolvidas com satanismo têm aparência comum, vestem e trabalham normalmente e podem passar desapercebidas no meio de uma multidão.  Então, para estupefação de todo o auditório que o ouvia naquele domingo pela manhã, o Pastor Thompson afirmou textualmente: “há pelo menos três membros da igreja de Satanás entre nós nesta manhã”.  Ele se baseava em estatísticas e denunciava a estratégia deste movimento satânico de infiltrar-se no meio dos cristãos para causar estragos e enfraquecer a igreja do Senhor.  Não creio que devamos menosprezar estes dados e discernimentos.

- As Heresias

    Uma outra estratégia do reino das trevas é espalhar seitas e falsas doutrinas no seio das igrejas evangélicas.  Vivemos um tempo em que a sociedade se inclina fortemente para o misticismo e o esoterismo.  E, lamentavelmente, o veneno do misticismo tem influenciado a teologia de muitas igrejas evangélicas contemporâneas.  Normalmente, esta infiltração acontece de maneira muito sutil.  São modismos teológicos e doutrinários, as teologias de novidades.  Precisamos ser muito cuidadosos com relação a isto.
    Neil Anderson afirma: “Você perde a liberdade quando aceita acreditar em uma mentira ou praticar algo sobre o fundamento de uma mentira”.  Sobre este assunto, leia Atos 8.5-25, que conta a história de Simão, o mago, que enganava as pessoas com suas falsas doutrinas na região de Samaria, e quando ouviu o evangelho, pensou em simplesmente misturar a doutrina da Palavra de Deus à sua prática pagã.  Foi severamente repreendido por causa disto.

terça-feira, 26 de março de 2013

DESMASCARANDO O INIMIGO

     Aula a ser ministrada em 07 de abril de 2013, por Alexandre Vilmar, membro do Conselho de Ensino da ORLASG.



     Nossa eficácia na luta contra as trevas também está relacionada com o conhecimento que temos do adversário.  Em Oséias 4.6, o Senhor denuncia: “O meu povo foi destruído porque lhe faltou o conhecimento”.  Por isso, neste capítulo vamos considerar alguns aspectos relacionados com a identidade, os métodos, os propósitos e as estratégias do maligno, segundo ensinam as Sagradas Escrituras.
   Identificando as Hostes Inimigas
     Não acredito que seja de importância fundamental identificar precisamente as entidades tempo procurando a identidade dos personagens satânicos, discernir suas funções específicas e a hierarquia estabelecida entre eles é dispensável e acaba dando muito cartaz para o inimigo.  O que pretendo afirmar é que a falta de conhecimento de nomes de entidades espirituais malignas, da hierarquia do reino das trevas e das funções exercidas por cada uma dessas entidades, não inviabiliza a ação eficaz do cristão contra essas mesmas entidades.
     O critério é o seguinte: preciso conhecer o quanto possível tudo o que a Bíblia ensina, inclusive sobre o reino das trevas.  E, isto me basta para ser eficiente na luta contra o mal. Todo conhecimento extra-bíblico é dispensável, e até mesmo questionável.  As fontes para o conhecimento extra-bíblico sobre esta matéria são duvidosas e não merecem confiança.  Portanto, fiquemos com o que a Bíblia ensina.
     Sabemos pela Palavra de Deus que no reino das trevas há espíritos malignos, demônios, anjos decaídos, principados, potestades, dominadores e forças espirituais da maldade.
     O perfil do Inimigo
     Por outro lado, creio ser importante discernir o perfil do inimigo, até para identificar seus métodos e sutilezas.  Ele é mentiroso e pai da mentira (João 8.44); dissimulador, imitador das coisas de Deus, sendo capaz até de transmutar-se em anjo de luz para confundir os incautos (II Coríntios 11.13-15); usurpador que de forma contumaz procura se apropriar daquilo que não lhe pertence; destruidor de vidas, famílias e de tudo que é bom e precioso (João 10.10; Apocalipse 9.11); acusador (Apocalipse 12.10; Zacarias 3.1-5); legalista e cobrador cruel; zombeteiro e debochado.
     Os propósitos do Inimigo
     Outra compreensão importante é a respeito dos propósitos do inimigo.  Ele é profissional em gerar dúvidas e levantar questionamentos sobre nossa vida espiritual (Mateus 4.3).  Ele procura promover divisões no meio da igreja e enfraquecer o exército do Senhor (Romanos 16.17-20; II Coríntios 2.5-11).
     Ele está sempre procurando envergonhar a igreja e promover escândalos de modo que o povo de Deus perca a autoridade da qual necessita para o seu testemunho no mundo.
     Outro propósito do maligno é atrasar o avanço do Reino de Deus na terra.
     Ele Busca ainda, desanimar os discípulos de Jesus, desmotivar os missionários e causar esmorecimento e decepção de diversas formas.
     Ainda, o inimigo procura causar confusão, engano, dissimulação e promover a mentira e a hipocrisia.
     Mais ainda, o inimigo faz tudo para frustrar a frutificação da igreja, da obra missionária e da evangelização.
     Além disso, o inimigo está sempre tentando neutralizar o poder de Deus, imitar as obras do Senhor e opor-se imitando aquilo que Deus faz, procurando gerar na mente e no coração das pessoas confusão sobre o que seja ou não autêntico (Êxodo 7.1-13).
     O inimigo quer usurpar espaços na mente e no coração das pessoas, na família e na sociedade.  Desde que alguém abra especo ou deixe brechas, o inimigo os aproveitará.  A partir daí ele reivindica o direito de ali permanecer.  Assim ele domina vidas, famílias e comunidades.
     Satanás forma preconceitos e os estabelece como verdades na sociedade, tradicionalizando enganos e mentiras.
     O diabo faz de tudo para frustrar as conquistas da igreja.