quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Uma Rainha "Transparente"


Ao terminar a leitura do livro "Filhos brilhantes, alunos fascinantes", do Dr. Augusto Cury e dentre tantos contos marcantes, um me chamou muito à atenção, pois versa sobre um assunto que tem sido deixado de lado por nossa sociedade: a importância da honestidade.


O Autor conta que num Reino próspero e feliz, o Rei estava muito doente e sua morte era tida como certa. O Príncipe Herdeiro, solteiro, precisava se casar e dar ao Reino uma Rainha; ele era muito jovem, mas tivera uma relação de amizade e companheirismo muito grande com seu pai, assimilando assim seu discernimento e sabedoria. Os Conselheiros Reais o achavam muito imaturo e incapaz de substituir à altura o Rei que em breve os deixaria; ainda havia uma tensão no ar muito grande, pois muitos dos ministros e altas autoridades do Reino faziam planos de "tirar vantagem" da suposta ingenuidade do futuro Rei. Perturbado com a situação e sabedor de que precisava se casar o quanto antes, numa tarde ensolarada sai para refletir e pensava consigo:


"Preciso me casar com uma jovem que me ame pelo homem que sou e não pela coroa que ei de herdar; que seja transparente, verdadeira em suas atitudes, que inspire confiança nos súditos do Reino."


E seguia caminhando quando, ao passar sob uma árvore frondosa, caiu uma semente amarela em sua cabeça. Imediatamente teve uma ideia e voltou ao Palácio. Convocou os Conselheiros e determinou a promulgação de um edital que convidava todas as jovens solteiras do Reino a comparecerem nos jardins do Palácio em dia e hora determinados, pois o Príncipe daria instruções àquelas que desejassem o posto de Rainha. O Reino ficou em polvorosa; os Conselheiros furiosos, pois esperavam casar o Príncipe com alguma princesa dos Reinos vizinhos. Sendo o edital disseminado por todo o Reino, chegou aos ouvidos de Priscila, filha de uma serva que trabalhava no Castelo, o intento do Príncipe. Priscila não conhecia o príncipe pessoalmente, mas lhe tinha profunda admiração e um amor singelo, pois diariamente ouvia de sua mãe o quanto ele era atencioso, justo, compassivo e de extrema sabedoria. Como o edital previa que todas as jovens interessadas em se tornarem Rainha, independente de posição social ou qualquer outro aspecto poderiam se candidatar, Priscila disse a sua mãe que participaria do encontro com o Príncipe. Sua mãe e suas amigas tentaram convencê-la que seria em vão sua participação, pois a realeza e a alta sociedade estavam preparando suas jovens com belíssimos vestidos e toda pompa possível e imaginável para o encontro e que ela não tinha sequer um vestido novo, ainda que simples para vestir. Alheia a todos os comentários se conduziu ao encontro e chegando aos Jardins do Palácio ficou pasmada com tantas jovens belas e formosas. Enquanto pensava o Arauto Real Tocou seu instrumento anunciando a aproximação do Príncipe, que após breve saudação orientou às jovens candidatas:


"Cada uma de vocês vai receber uma semente para plantar e cultivar durante três meses. Ao término desse período voltarão aqui e a jovem que trouxer a flor mais bela e bem cuidada, essa será a Rainha".


Dito isto, o Príncipe se ausentou rapidamente e deixou todas as jovens muito esperançosas, pois a tarefa era muito fácil e qualquer uma delas poderia se tornar a Rainha. Priscila ficou encantada com o Príncipe e aquela admiração distante começou a se transformar num amor profundo. Ela pegou a semente e plantou num belo vaso; tomou todas as medidas que conhecia para garantir que a semente germinaria e se transformaria numa bela flor. Os dias se passaram, e não obtinha resultado algum. Consultou os jardineiros mais competentes do Reino, inclusive o jardineiro que cuidava dos Jardins do Palácio, que era muito amigo de sua mãe; adotou todas as técnicas recebidas dele, mas a semente não germinava. Ela não desistia e regava, adubava, demonstrava profunda dedicação no cuidado com a semente, mas ela na aflorava. Foi aconselhada a pegar uma outra semente e colocar no lugar da que recebera do Príncipe, afinal ninguém ficaria sabendo e ela ainda teria uma chance de se tornar Rainha. Priscila se negou a ouvir e continuava cuidando da semente. Quanto mais o tempo passava mais amava o príncipe e sonhava em tê-lo como marido. Não sonhava com o Palácio e sua pompa, mas com o homem que se tornaria seu esposo. Chegou o grande dia e o vaso de Pricila era um monte de terra e adubo enterrando uma semente que não germinou. Ainda assim ela decidiu ir ao encontro no Palácio. Mais uma vez foi desestimulada por sua mãe que achava um absurdo ela ir ao Palácio sem ter conseguido atingir o objetivo. Priscila disse a sua mãe:


"Fiz tudo que podia para que a semente germinasse, mas vou apresentar ao Príncipe o resultado do meu esforço. Pode não ser o que se esperava, mas é o que consegui!"


E lá se foi a Bela Jovem, sem qualquer expectativa de ser escolhida, mas poderia ver seu amado, ainda que de longe mais uma vez.

Chegando nos Jardins do Palácio pode vislumbrar incontáveis jovens com seus vasos floridos. Cada flor mais linda que a outra e ela tornou-se motivo de risos, pois carregava um vaso desabitado.

O príncipe chegou, anunciado pelo Arauto Real e foi de imediato inspecionando as flores. A cada jovem pretendente dedicava um sorriso e perguntava o seu nome com delicadeza. Fez o mesmo com todas as jovens, menos com Priscila. Ao se aproximar dela foi tomado de profunda emoção e não foi capaz de dizer palavra alguma; apenas uma lágrima escorreu pela sua face e dirigiu a ela um olhar penetrante que alcançou o coração de Priscila. Afastou-se, mandou que a Orquestra Real tocasse uma valsa e proclamou:


"A jovem com quem eu dançar essa valsa, essa será minha Rainha!".


Todas ficaram esperançosas, menos Priscila. Para espanto geral o Príncipe dançou com Priscila, que não se continha de felicidade, mas não acreditava no que estava acontecendo. Os Conselheiros se reuniram e chegaram a conclusão que o herdeiro do trono era um desequilibrado e que não poderia herdar o Trono de maneira nenhuma.

Ao término da Valsa o Príncipe se pronunciou:


"Todas vocês receberam uma semente para cultivar, entretanto todas as sementes eram estéreis; não podiam germinar! O nosso Reino precisa de um Rainha que tenha a coragem de ser transparente e verdadeira. Honestidade e lealdade são virtudes que todo ser humano precisa regar diariamente. não são sementes estéreis, antes pelo contrário, produzem belas e frondosas árvores!"


Todos ficaram atônitos com a sabedoria do Príncipe e os Conselheiros reviram seus conceitos e se convenceram que não haveria melhor herdeiro para o Trono.


O conto é belíssimo, mas o que chama atenção é que esse Reino poderia ser o nosso Brasil, onde sempre se dá um "jeitinho" para se conseguir alcançar êxito. Ficou claro que todas as jovens, exceto Priscila, trocaram as sementes, afinal de contas "ninguém ficaria sabendo" e era por uma boa causa. Precisamos acabar com essa loucura que é a "lei de Gerson", que injustamente é atribuída à um dos maiores meias do futebol brasileiro de todos os tempos, e acabar com essa prática que diz: "tem que levar vantagem em tudo", argumentando que "os fins justificam os meios". Isso é uma mentira e tem arruinado nossa sociedade; Reclamamos diariamente da casta de políticos que temos, dizendo que são todos corruptos, farinha do mesmo saco, sanguessugas do dinheiro público, mas no nosso cotidiano buscamos atalhos que nos beneficie, sem levar em consideração se é lícito ou não, afinal de contas "todo mundo faz, não há nada de mais levar uma vantagenzinha de vez em quando". É preciso uma mudança de atitude para que tenhamos uma sociedade mais igualitária e isso passa por mim e por você.


Que a Graça e o Carisma do Senhor Jesus Ilumine nossas mentes e corações!!!


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