terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

"A Saída"

Lição escrita pelo Pr. Júlio Oliveira e Ministrada por Mario Hermes nos dias 03 e 17 de fevereiro; ambos membros do Conselho de Ensino da ORLASG.

     Antes de deixar a presença do Faraó (11: 1-10) que estava completamente dominado pela ira, Moisés fala a respeito da última praga a mais terrível de todas. Nesta última praga Deus vai tirar a vida do filho primogênito de todas as famílias egípcias (11: 5-6). Não existe experiência mais dolorosa para um pai ou uma mãe do que a morte de um filho, mas a perda do primogênito é ainda pior, pois ele é o herdeiro sobre quem a família deposita toda a sua esperança. O primogênito de Faraó ocuparia seu lugar. Depois de cada praga, a situação sempre voltava ao normal, mas para os pais que vão sofrer essa perda a vida nunca mais será a mesma.
    
     Essa última praga pode parecer cruel, mas talvez seja castigo de Deus contra a crueldade dos egípcios na matança dos meninos hebreus (1: 15-16).
Deus avisa a Moisés que essa será a última praga e que o povo deixará o Egito em breve.

Convocados para a liberdade
     Mas, adverte de que o povo precisa se preparar para essa nova caminhada. Preparo espiritual e material. Para a provisão material, o povo deveria pedir aos vizinhos egípcios objetos de prata e de ouro (11: 2). Seu pedido será atendido, pois o Senhor influenciou a atitude dos vizinhos para com os hebreus e até Moisés era muito famoso na terra do Egito, aos olhos dos oficiais de Faraó, e aos olhos do povo (11:3).
Mas o povo de Israel só será poupado do sofrimento pela qual vão passar os egípcios se seguirem as orientações dadas por Deus e observarem uma nova festa religiosa: “A Páscoa”.
  
     A Páscoa se tornará essencial na celebração do livramento dado pelo Senhor (12: 1-28).   A instituição da Páscoa marca o início de uma serie de rituais e cerimônias religiosas a serem observados pelos israelitas. O Senhor define para Israel um novo calendário religioso que começa na primavera, no mês de adibe, o primeiro mês do ano, correspondente a março-abril em nosso calendário (12:2).

   O Senhor fornece instruções precisas a Moisés acerca dos procedimentos e do momento certo de realizá-los.  
    No décimo dia do mês, os israelitas devem escolher um cordeiro e (12:3a) e guardá-lo até o décimo quarto dia do mês, ou seja, na lua cheia (12: 6a). Deus também enfatiza a importância da comunhão na celebração. O povo deve cumprir em grupos (12: 3b) e os animais devem ser imolados por todo o ajuntamento da congregação ao mesmo tempo (12: 6b). Esse é o primeiro registro bíblico de sacrifícios oferecidos por famílias, e não indivíduos, e da participação de toda a congregação em um ritual comum. Não vemos esse tipo de prática religiosa no tempo dos patriarcas. As referências à “congregação” em 12: 3 e 12: 16 também sugerem os primeiros conceitos de povo, nação. Esse conceito chegará a seu ápice quando Deus anunciar que escolheu a nação e quando faz aliança com Israel nos capítulos 19 e 20.

As prescrições quanto ao animal e seu preparo são rígidas. As famílias podem usar um cordeiro ou um cabrito, mas ele deve ser macho de um ano de idade e ser sem defeito (12: 5). Deus exige que todos os sacrifícios oferecidos a ele sejam perfeitos e, portanto não aceita amimais defeituosos (Lv. 22: 17 – 31).

       Quando os animais forem imolados, o povo deve guardar uma parte do sangue. Mais adiante, Deus vai orientar o povo a drenar e enterrar o sangue (Lv. 10-14), mas, nesta ocasião, os israelitas deviam tomar um feixe de hissopo (provavelmente uma planta aromática), molhá-lo no sangue e passá-lo nas ombreiras e na verga da porta de suas casas (12:7).

       Nas gerações futuras, quando essa festa fosse celebrada para comemorar o que havia acontecido no Egito, ficaria conhecida como “Festa dos Pães Asmos” (asmo significa “sem fermento”; 12:17). Entre outros motivos, o pão devia ser sem fermento, pois em sua pressa de sair do Egito, os israelitas não teriam tempo de deixar a massa do pão crescer. No entanto, as instruções detalhadas acerca da preparação desse pão (chamado matzoh em hebraico) e o fato de o povo ter de comê-lo por sete dias sugere a existência de outro motivo para sua importância. Pode-se dizer o mesmo da instrução repetida: Tirareis fermento das vossas casas (12: 15,19). Ainda hoje, judeus ortodoxos fazem uma limpeza antes da Páscoa e removem todo vestígio de fermento de suas casas e locais de trabalho.

       A ênfase sobre comer pão sem fermento faz sentido quando lembramos que, naquela época, o fermento que fazia a massa crescer consistia num pedaço de massa crua de um pão preparado anteriormente. Essa massa fermentada agia como os fermentos usados em pães hoje em dia.

     No entanto, significava que o pão novo possuía resquício do pão anterior. Deus deseja que os israelitas partam para uma vida nova e rompam inteiramente com sua vida antiga como escravos do Egito, utilizando-se da metáfora do pão sem fermento.

        Logo após as instruções acerca do pão, Moisés explica o motivo pelo qual o povo deve aspergir o sangue nas ombreiras e na verga das portas: Porque o Senhor passará para ferir os egípcios, mas poupará aqueles cujas casas estiverem marcadas com o sinal de sangue (12:23). O termo hebraico Pesach, traduzido para nossa língua como Páscoa, significa, literalmente, “passar sobre”, no sentido de “saltar”. O sangue do cordeiro faz o anjo do julgamento poupar aqueles que reivindicam sua proteção.

        A Páscoa e a comemoração subseqüente, a Festa dos Pães Asmos, deveriam durar uma semana e serem observadas todos os anos a fim de lembrar as gerações futuras de israelitas do que Deus fez por eles no Egito (12: 14, 24- 27). Essas festam prefiguram a Ceia do Senhor, na qual Jesus se torna o novo elemento central da Páscoa (Mt. 26: 17; 1 Co 11: 23-33).

   Enquanto os israelitas fazem a refeição da Páscoa, o Senhor mata todos os primogênitos do sexo masculino das casas em que não há o sinal de sangue. A amplitude da tragédia é aterradora: Fez-se grande clamor no Egito, pois não havia casa em que não houvesse morto (12: 29-30). Nem mesmo a casa de Faraó escapa do anjo da morte. 

Deus desfere o  golpe final no rei do Egito tirando dele seu herdeiro.

O êxodo (12: 31-42)

     Nessa mesma noite Faraó mandou chamar Moisés e Arão e manda que saiam com os israelitas e seus rebanhos  (12: 31- 32a). Sua ordem é para saírem imediatamente, por conta das calamidades que trouxeram sobre a terra.

     Outros egípcios também tinham pressa em despedir os israelitas, apressando-se em lançá-los fora da terra (12:33). Deus não mentiu quando disse que, Faraó os deixaria ir, os “expulsará totalmente” (11:1). Desta fez, Faraó não impõe nenhuma condição; antes, pede a Moisés a benção do Senhor (12:32b).

     Eles ajuntam todos os seus pertences apressadamente, inclusive a massa não fermentada do pão ainda dentro das amassadeiras (12:34). Então, seguindo a orientação de acordo com 11:2, pedem aos egípcios objetos de prata, e objetos de ouro, e roupas (12:35). Os bens que os egípcios lhes deram de bom grado representam na verdade uma compensação parcial pelos anos de exploração (12:36).
 
      Quando finalmente deixam o Egito, os israelitas devem ter pensado estar vivendo um sonho. Partiram de Ramessés, cidade que haviam construído com as próprias mãos (1:11), em direção a Sucote.

     Formavam um povo numeroso, se acrescentarmos mulheres e crianças aos seiscentos mil homens, (12:37), é provável que pelo menos dois milhões de pessoas tenham deixado aquela terra.

      O tempo que os israelitas passaram no Egito (12:40-41)  serve para nos mostrar que todos esses acontecimentos dramáticos foram o cumprimento da promessa feita por Deus a Abraão: Sabe, com certeza, que a tua posteridade será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a quem têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas (Gn. 15: 13-15).

Desafios da liderança

Para deixar bem claro o desafio que estava diante de Moisés, precisamos avançar um pouco a Números 11: 1 – 35. Olhando para esse texto vamos perceber que tipo de gente Moisés estava liderando e as ações e reações dele.

       Os textos bíblicos são inesgotáveis; são fonte para refletir sobre a vida. Mesmo que não possam ser explorados de um modo direto para responder todas as nossas perguntas atuais, uma vez que pertencem, originalmente, a um outro povo e a seu contexto histórico-cultural, eles estabelecem modelos de fé e de comportamento que se revelam enriquecedores diante dos desafios desse nosso tempo.

Em seu caminho rumo à “terra prometida”, os que foram libertos da escravidão do Egito começam a resmungar. Dessa vez por pessoal que, estava no meio deles que talvez que se aproveitaram da saída, mas não são israelitas (4a) eles estão com um forte desejo, a comida dos egípcios (4b).
       Esse movimento de murmuração começa com esse pequeno grupo e logo toma conta de todo o povo (34b). A ênfase do texto em seu decorrer, não insiste na questão da origem da murmuração num determinado grupo, que está se movimentando para dividir o povo de Israel, mas indica outra dificuldade: desejos e insatisfações. As murmurações dessa gente contagiam rapidamente, ou seja, como já disse anteriormente toma a comunidade inteira. As queixas seriam legitimas se houvesse falta de alimento. No caso ali, é a falta de variedades que faz os filhos de Israel, ou melhor, cada família, chorarem na entrada de sua tenda (4c, 10a).

        O desespero é acompanhado por uma memória do passado que, em grande parte, já alterou as experiências históricas. Em sua falta os instigadores do “movimento de murmuração” lembram os alimentos gratuitos e variados no Egito: peixes, pepinos, melancias, alho-porro, cebolas e alhos (5a). Com certeza, a lista dos seis alimentos combina com o ambiente egípcio: Ex. 7:21 e Is 19: 8 fazem alusão aos peixes no rio Nilo; 11: 10 lembra o Egito como uma horta irrigada; pinturas em paredes e relevos documentam a existência das diversas hortaliças. A grande questão é a afirmação de que isso teria estado, gratuitamente, à disposição dos hebreus.

       As circunstâncias enfrentadas por eles no Egito eram bem diferentes: com brutalidade, os egípcios fizeram os filhos de Israel servirem (Ex 1:13), a fim de oprimí-los com suas cargas (Ex 1:11; 6:6,7), tornando-lhes amarga a vida através de dura servidão (Ex 1:14; 6:9).

      A razão da murmuração encontra-se, pelo que o contexto afirma em Nm 11, na simplicidade do alimento: Apenas o maná está aos nossos olhos (6b).
O líder solitário – Moisés ouve o povo chorando (10a). Antes, porém de falar a respeito da reação do líder, a texto afirma que: a ira de Deus se inflamou muito(10b).

      O texto volta a figura de Moisés. Em sua longa fala (11b – 15d), o líder apresenta um pensamento duplo. De um lado, sente-se encarregado por Deus de sua tarefa, quando afirma que Deus teria colocado a carga do povo sobre ele (11c). Com uma argumentação firme, narra como percebeu a ordem de Deus, apresentando as palavras deste último como parte de seu discurso: Carrega-o (o povo) em teu como colo como o amo carrega o lactente (12d). Por outro lado, Moisés enfrenta a exigência do povo, expondo-a, novamente, como fala diretamente no meio de seu discurso: Dá-nos carne, para que comamos (13c).  Moisés encontra-se no meio de dois imperativos, entre a ordem recebida da parte de Deus e a ordem recebida por parte do povo. Inicialmente, sua reação e marcada por uma série de perguntas.


       Se você estiver atento à leitura vai contar cinco perguntas diretas, todas direcionadas a Deus: Por que fizeste o mal a teu servo?(11b); Porque não achei graça em teus olhos? (11c); Será que eu concebi todo este povo?(12a); Ou (será que) eu o dei à luz?(12b); De onde sairá para mim carne, para dar a todo este povo?(13a).

      As perguntas expressam bem o dilema de Moisés: aos seus olhos, (tudo isso era) mau (10c). Em especial, o líder “vê sua solidão na liderança como uma condenação dada por de Deus”. Dessa forma, está disposto a “jogar a toalha”: Não consigo (mais) carregar todo este povo sozinho, porque (é) pesado demais para mim (14).

     O discurso de Moisés revela um líder visivelmente preocupado consigo mesmo.

     O uso repetido do verbo na primeira pessoa do singular (11c, 12a, 14a, 15c) deixa isso muito claro. Além do mais, apesar de Moisés mencionar quatro vezes todo esse povo (11 -14) não dialoga com a comunidade sobre a exigência dela de comer carne. Apenas se lamenta, diante de Deus, que o povo se tornou uma carga demasiadamente pesada (11 -14), que ele não consegue carregar mais.

      O conflito chegou a um impasse: o povo chora para Moisés (13) e Moisés está disposto a desistir de sua tarefa de liderar a comunidade, uma vez que ele não sabe de onde poderia tirar carne para dar a todo este povo (13). Se o projeto Êxodo tem que dar certo, então só pode dar certo a partir da orientação e ajuda de Deus.

       Deus desenvolve com Moisés o principio da liderança compartilhada. Moisés recebe a seguinte ordem de Deus: “Reúna para mim setenta homens dos anciãos de Israel, dos quais tu sabes que eles superintendentes do povo; e os trará perante a tenda da congregação, para que assistam ali contigo”. (16)

      O texto de Números 11: 4-35 não favorece apenas uma simples divisão administrativa de tarefas, como Ex 18: 13-26, em que Moisés escolhe homens capazes para colocá-los chefes (juízes) sobre o povo (Ex 18:25). Muito mais, prevê-se uma partilha de liderança pela circunstância de um grupo ser reunido no mesmo espírito profético. Com Moisés, esse grupo carregará a carga do povo até a terra prometida (17), favorecendo o projeto da libertação e opondo-se ao pessoal reunido por desejos ansiosos (4)

    Apesar dos desafios de liderar um bando de escravos e torná-los uma nação, Moisés viveu suas crises e lutas, mas a sua relação de intimidade e de dependência de Deus apontaram os caminhos para conduzir o povo de Deus para fora de Canaã e chegar até o ponto em que Deus queria.


 



 


 

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