sábado, 9 de março de 2013

"A FÉ E AS ESCOLHAS DE MOISÉS"

     Esta é a última lição da série sobre Moisés. Escrita pelo Pr. Julio Oliveira, encerra um ciclo muito virtuoso. Ficamos no aguardo da nova Série que versara sobre "Batalha Espiritual", baseado nos escritos do Pr. Mauro Israel.


     Tudo começa por conta do povo  hebreu entrar no Egito como convidado e se multiplicar muito (Gn. 18: 18; 28: 14); acaba se tornando um problema em duas áreas: interna e eterna. A interna é que o povo se tornou numeroso, conseqüentemente, visível. O problema externo é que Israel estava tornando-se um povo. O novo rei que não conhecia José assumiu o poder no Egito. Ele disse ao seu povo: “Eis que o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais forte do que nós. Usemos de astúcia para ele, para que não se multiplique. E seja o caso que, vindo guerra, ele se ajunte com os nossos inimigos, peleje contra nós e saia da terra” (Ex 1.9-10).
   Aqui dá pra perceber o contexto sócio-político no qual Moisés foi chamado para ser líder. O problema sócio-político aqui era um conflito de classes – Israelita (classe dominada) X Egípcios (classe dominante) (Ex 1.9). É agora um conflito entre duas nações: Israel e Egito. É um conflito entre uma sociedade dominante urbana contra uma classe rural pobre e dominada. Israel estava vivendo fora do Egito, num contexto agrícola e trabalhadores rurais.
     Quando os irmãos de José foram ao Egito, depois do dramático encontro com eles e seu pai, José os advertiu a dizer o seguinte a Faraó: “Os teus servos são pastores de ovelhas” (Gn 47.3). Faraó permitiu José conceder uma parte de Gósen aos seus irmãos. “Então José estabeleceu a seu pai e a seus irmãos e lhes deu por possessão o melhor da terra do Egito, terra de Ramessés, como Faraó ordenará” (Gn 47.11). No meio desta história existe uma frase muito importante que não pode passar desapercebida de nós, que diz: “todo pastor de rebanho é abominação para os egípcios” (Gn 46.34). A palavra abominável (em hebraico “Tow` ebah” – to- ay- baw) tem muitos significados duros: detestável, repugnável, infame, nauseante. Em outras palavras, ser pastor (de ovelha) era uma carreira desprezada no Egito. A questão central era: por que todo pastor de rebanho era abominado para os egípcios? Por que existiam diferenças culturais. Israel possuía um estilo de vida rural. Os egípcios possuíam um estilo de vida em sociedade de classe urbana. Ser um pastor era ter um estilo rural, conseqüentemente, uma carreira rude para um povo rude.
     Qual era o problema por detrás das cortinas? É claro: poder e dominação. Poder e dominação são as raízes das muitas injustiças e opressões no mundo.
      O novo rei então começa a tomar “medidas necessárias”. Jorge Pixley, estudioso do Velho Testamento diz, “foram severas opressões para controlar o crescimento de Israel”. A opressão do rei teve três faces monstruosas:
A face da exploração. Ele colocou sobre eles “feitores” (mestres) de obras, para os afligirem com suas cargas. Mas isso não funcionou; quanto mais eles eram, tanto mais eles se multiplicavam e espalhavam;
A face da selvageria. Os egípcios, “com tirania, faziam servir os filhos de Israel e lhes fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro, e em tijolos, e com todo o trabalho no campo; com todo o serviço em que na tirania os serviam” (Ex 1.13-14); e
A face do genocídio. Agora, o rei deu sua última e decisiva ordem para as parteiras hebréias Sifrá e Puá: “Quando servirdes de parteiras às hebréias examinai: se for filho, matai-o; mas se for filha, que viva” (Ex 1.16). As parteiras, contudo temeram a Deus e não fizeram o que o rei havia ordenado, deixando os meninos viverem. Como resultado do temor delas a Deus, “o povo aumentou e se tornou muito forte” (Ex 1.20).
      É nesse contexto e pra esse contexto que Deus chama Moisés. O contexto fornece o ambiente onde essa liderança será desenvolvida. Quero fazer aqui duas afirmações muito sérias:
     - A prática da liderança é uma resposta à missão no mundo; e
     - A prática da liderança tem de ser contextual.
      Deus chamou Moisés para liderar e pastorear seu povo e conduzi-los num relacionamento pessoal com Ele. Precisamos primeiro entender o chamado de Moisés. Em seu chamado, Moisés teve uma profunda crise, que veremos a seguir:
O chamado e suas crises
      Cada chamado exige uma resposta.  A resposta pode ser positiva ou negativa. Entre o chamado e a resposta existe um período-espaço de tempo no qual a pessoa desenvolve um tempo de diálogo, incertezas, dúvidas, obediência, desobediência, medo, crises de identidade e talvez confrontação.
O chamado de Moisés
      Deus chama Moisés pra ser Seu gente de mudança em um situação e contexto muito específico. Sua vocação era uma resposta tanto a Deus como para Seu povo. Existiam pelo menos dois aspectos para este chamado:
Primeiro - Deus estava consciente do sofrimento de Israel; e
Segundo - os israelitas clamavam e choravam de sofrimento.
     Portanto, havia uma dimensão divina como também uma dimensão humana.
Deus disse a Moisés: “Pois o clamor dos filhos de Israel chegou até mim, e também vejo a opressão com que os egípcios os estão oprimindo” (Ex 3.9). Deus é Deus de misericórdia e compaixão. Havia um povo oprimido que precisava ser libertado.
     Parafraseando, “Eu estou vendo a situação do meu povo no Egito. Eu não quero que eles sofram mais. Então, vem agora Moisés para ser o meu agente para libertar meu povo desta opressão. Moisés vá a Faraó e diga a ele o meu propósito para o meu povo.”
     Quase todo chamado e vocação surgem em meio a crises. Moisés não é diferente neste processo. De fato, Moisés nos ajuda a compreender o processo da crise em seu chamado.
     Fácil é julgar Moisés na maneira como objetou ao chamado de Deus. Precisamos levar em consideração que Moisés não havia vivido com o povo oprimido no Egito. Ele era publicamente conhecido como “filho da filha de Faraó”, que havia vivido no palácio real, e que estava ausente do país por longo período, vivendo como um exilado em Midiã. É natural que ele perguntasse se os israelitas iriam aceitá-lo como profeta de Deus (Pixley).
     Olhado para isso vamos ver os cinco estágios da crise no processo do chamado de Moisés:
A crise de identidade pessoal
     “Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel? (Ex 3.11).
     “Quem sou eu” significa “eu sou uma pessoa simples e comum”.
A crise de identidade de Deus e do seu povo
     “Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de nossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? (Ex 3.13).
A crise de Autoridade Pessoal
     “Respondeu Moisés: Mas eis que não crerão, nem acudirão à minha voz, pois dirão: O Senhor não te apareceu” (Ex 4.1).
A crise de inadequação-influência
     “Então, disse Moisés ao Senhor: Ah! Senhor! Eu nunca fui eloqüente, nem outrora, nem depois que falaste a teu servo; pois sou pesado de boca e pesado de língua” (Ex 4.10).
 A Crise do Medo
     “Ele, porém respondeu: Ah! Senhor! Envia aquele que há de enviar, menos a mim” (Ex 4.13).
Humanidade: Sucesso e Fracasso na vida de um líder
      Moisés é um excelente estudo de caso de liderança. Ele não foi um homem perfeito, mas sua experiência e ministério nos fornece excelentes lições a serem aprendidas. Moisés foi um líder que experimentou sucesso e fracasso, vitória e desapontamento, crises e soluções.
 O caráter como homem de Deus
     “Esta é a benção que Moisés, homem de Deus, deu aos filhos de Israel, antes da sua morte” (Dt 33.1).
     “... como está na Lei de Moisés, homem de Deus” (Ed 3.2).
Fidelidade
     “O qual é fiel àquele que o constituiu, como também o era Moisés em toda a casa de Deus”... “E Moisés era fiel em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que haviam de ser anunciadas” (Hb 3.2, 5).
Servo
     “Assim, morreu ali Moisés, servo do Senhor...” (Dt 34.5).
     “... Lei de Deus, que foi dada por intermédio de Moisés, servo de Deus...” (Ne 10.29).
     “... escritas na lei de Moisés, servo de Deus...” (Dn 9.11).
     “Lembrai-vos da Lei de Moisés, meu servo...” (Ml 4.4).
     “E Moisés era fiel em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que haviam de ser anunciadas”(Hb 3.5).
     “e entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus...” (Ap 15.3).
Humilde
     “Ora, Moisés era homem mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12.3).
Oração
     Moisés nos ensina a entender como a oração é crucial no desenvolvimento da liderança e da vida, especialmente em relação àquelas pessoas que são “osso duro de roer”, que nos traíram (Dt 9.18-29).
Profeta
     “E nunca mais se levantou em Israel profeta como Moisés, a quem o Senhor conhecesse face a face, nem semelhante em todos os sinais e maravilhas que o Senhor o enviou para fazer na terra do Egito, a Faraó: e a todos os servos, e a toda a sua terra; e em todo o que Moisés operou com mão forte, e com grande espanto, aos olhos de todo o Israel” (Dt 34.10-12).
Realizador
     “E em tudo o que Moisés operou com mão forte, e com grande espanto, aos olhos de todo o Israel” (Dt 34.10).
Fracasso e desapontamento
     Liderança não é somente uma vida de sucesso. Fracasso e desapontamento fazem parte da vida do líder, como por exemplo, o fracasso em Meribá (Nm 20. 2-13), fez com que um sentença severa de Deus caísse sobre ele e Arão. Muitas discussões existem sobre o porque desse juízo. Quero destacar quatro:
Abuso de poder e de liderança
Auto-Admiração e Auto-Adoração
Força por Fé
Continuidade e Descontinuidade
     Uma das lições grandes da vida de Moisés é que: “lideres de pessoas livres não deveriam cúlticas”. (Lc 4.8)
 
Bibliografia
O projeto Êxodo/ Mathias Grenzer
Moisés/ Charles Swindoll
Comentário Bíblico Africano/ TokunbohAdeyemo
Moisés/ por Karin H. K. Wondracek (artigo)
Moisés/ por Jorge Henrique Barro (estudo)





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