quarta-feira, 20 de março de 2013

"BATALHA ESPIRITUAL - A realidade do mundo espiritual"

     A partir do próximo domingo, 24 de março, iniciaremos uma série de estudos com o tema "Batalha Espiritual", baseados nos escritos do Pr. Mauro Israel Moreira. Abaixo segue o Conteúdo,  Apresentação, Introdução e primeiro estudo entitulado "A realidade do mundo espiritual", que será ministrado pelo Pr. Julio Oliveira.




BATALHA ESPIRITUAL
Pr. Mauro Israel Moreira

CONTEÚDO

Apresentação
Introdução
Unidade 1: A realidade do mundo espiritual
Unidade 2: A base bíblica da Batalha Espiritual    
Unidade 3: Desmascarando o Inimigo 
Unidade 4: As várias dimensões da Batalha Espiritual
Unidade 5: O guerreiro cristão
Unidade 6: A Batalha Espiritual e a vida missionária
Unidade 7: A oração intercessória e a Batalha Espiritual
Unidade 8: A estratégia da Batalha Espiritual



APRESENTAÇÃO
     Este trabalho foi preparado por solicitação da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira.
  Há muito tempo as nossas agências missionárias demonstram preocupação no sentido de prepararem adequadamente os obreiros que enviam aos campos.
     No processo de formação e treinamento dos missionários várias disciplinas são incluídas.  Entre elas está o tema da Batalha Espiritual.  Entendemos que adentrar uma comunidade, nação ou cultura para pregar a verdade do evangelho de Jesus Cristo implica em confrontar os poderes das trevas ali estabelecidos.  O inimigo não cede sem resistência.  Logo, os missionários têm de estar preparados para enfrentar as mais variadas situações de Batalha Espiritual.
     Desejo que este trabalho traga uma contribuição, ainda que modesta, para a formação dos missionários e também para os discípulos de Jesus, os pastores, obreiros e líderes de nossas igrejas nas lutas cotidianas da vida cristã e do testemunho do evangelho.
     Tenho de declarar minha profunda gratidão à missionária Bernadete, Coordenadora do Centro de Treinamento Missionário da Junta de Missões Mundiais da CBB.  Ela muito me animou no sentido de escrever esta matéria, foi paciente comigo com relação aos prazos de entrega do material, todos ultrapassados em muito.  E, sua graciosa teimosia não permitiu que eu desistisse, mesmo diante da luta que enfrentei para chegar ao final da tarefa.  Além de tudo isso, ela fez contribuições muito ricas com suas idéias e ajudas na redação de alguns textos.  Muito obrigado.
     Nós não temos muita tradição no desenvolvimento deste tema.  Por causa disto, ainda há muitos aspectos polêmicos.  Louvo a Deus por aqueles que não se intimidaram, mas enfrentaram a neblina que encobria o assunto e adentraram um espaço tão nebuloso.  Em minha opinião, alguns foram longe demais em suas dogmatizações, afirmações doutrinárias e práticas.
     Por outro lado, não poderíamos apenas desconhecer o assunto e nos colocarmos em uma posição de omissão ou de crítica.  Estudar a questão da Batalha Espiritual implica em irmos até certas fronteiras muito perigosas.  Temos de fazê-lo com muito zelo e cuidado, comprometidos com a Palavra de Deus e orientados pelo Espírito Santo.
     Há uma tendência de firmarmos posições dogmáticas a partir de experiências pessoais, especialmente nos aspectos em que não encontramos base bíblica e doutrinária sólida.  Tal postura compromete a integridade de todo o nosso trabalho.  É melhor ficar antes da fronteira do que depois. Alguns aspectos da verdade só conseguimos entender depois de um trecho mais longo de jornada.

Pr. Mauro Israel Moreira
Outubro de 2001
INTRODUÇÃO
     O tema Batalha Espiritual não é um assunto novo como muitos insistem em afirmar.  Nem mesmo consiste em modismo de final de século.  A Palavra de Deus aborda de modo teimoso e insistente este assunto como veremos mais adiante.
     O que acontece com a questão da Batalha Espiritual é que nos últimos tempos ela tem sido abordada de maneira inadequada, freqüentemente exagerando-se alguns aspectos e trazendo uma tonalidade polêmica para sua abordagem.  Por outro lado, não temos ainda formada uma tradição na discussão do assunto e, muito menos, na sua prática cotidiana.  Normalmente, as pessoas reduzem a questão ao aspecto da expulsão de demônios ou do misticismo.
     A grande comissão ordenada pelo Senhor Jesus Cristo já pressupõe a Batalha Espiritual.  Nenhum missionário deveria ser enviado para o campo sem que estivesse plenamente consciente da batalha que vai enfrentar e equipado para fazê-lo.
     Em rigor, a obra missionária é uma ação da igreja no sentido de conquistar espaços novos para o Reino de Deus.  Satanás usurpou e tomou para si aquilo que não era seu.  Ele se apossou da vida de pessoas, de comunidades, culturas e nações.  Ele tem exercido controle e domínio sobre os mesmos e não vai desistir deles sem muita luta e resistência.  Isto é o que chamamos de Batalha Espiritual.
     A simples iniciativa da igreja no sentido de enviar missionários aos povos dominados pelo pecado e pelo reino das trevas já consiste uma ameaça e um desafio aos principados e potestades que atuam em suas vidas.  Portanto, não há missões sem Batalha Espiritual.
     Se conferirmos a ação missionária da igreja do primeiro século segundo o registro de Atos dos Apóstolos, vamos constatar os muitos obstáculos que os cristãos tiveram de enfrentar para estabelecer o evangelho e as igrejas do Senhor nas culturas e nações que haviam sido dominadas pelo reino das trevas.  Porém, esta havia sido a ordem do Senhor Jesus em Atos 1.8: “e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra.”
     No decurso de todo o livro de Atos, os missionários e os povos cristãos lutam contra todas as forças contrarias, superam obstáculos de ordem espiritual, material, geográfica, política, social, étnica e estratégica, de modo que o historiador Lucas possa registrar no último versículo do seu documentário inspirado que o apóstolo Paulo pregava o evangelho “sem impedimento algum” (Atos 38.31).  Pregar o evangelho é invadir os domínios de Satanás e libertar os cativos de lá.
     Na obra missionária e de evangelização não podemos levar em conta apenas o que vemos com os nossos olhos físicos.  A realidade espiritual freqüentemente é invisível aos olhos da carne.  E, muitas vezes está diante de nossos olhos físicos, plenamente visível, mas não conseguimos discerni-la.


UNIDADE 1
A REALIDADE DO MUNDO ESPIRITUAL
     Temos de entender e levar em consideração que existe um mundo espiritual que não está acessível aos nossos sentidos físicos.  Pensar assim não tem nada a ver com misticismo ou esoterismo.  A Bíblia Sagrada apresenta exaustivamente esta realidade espiritual que se desenvolve por trás das cortinas do drama da história.
     Não se trata da visão animista ou fetichista que algumas culturas mais primitivas desenvolveram.  Tais crenças se sustentam em lendas e superstições cuja fonte é o imaginário acumulado em muitas gerações de ignorância espiritual.
     É importante entendermos que a realidade concreta do mundo em que vivemos não se constrói apenas a partir de fatores objetivos, científicos, humanos e mensuráveis.  Há outros fatores que influenciam a construção da realidade que nos cerca.
     Evidentemente, não temos o direito de firmar opinião a respeito deste assunto a partir de instrumentos como a imaginação, a intuição, a experiência pessoal ou pretendidas revelações pessoais.  Toda a nossa doutrina, convicção e certeza sobre o mundo espiritual precisa estar solidamente sustentada na Palavra de Deus.
Fatores de intensificação da espiritualidade no mundo
     Nos últimos anos, tem havido considerável crescimento no interesse das pessoas pelas coisas espirituais.  E, alguns fatores que justificam isto:
- A decepção com o progresso, a ciência e o avanço tecnológico
   Encantado com as suas descobertas maravilhosas, em algum momento do século XX, o homem moderno achou que era auto-suficiente, que poderia viver sem Deus. Não durou muito esta utopia – a crença no “eu”.  Vazio por dentro e carente de espiritualidade, o homem inaugura a pós-modernidade e se volta também para as coisas espirituais.  Mas, como não quer dar o braço a torcer para Deus, passa a desenvolver sua espiritualidade no fluxo do misticismo, do esoterismo, dos métodos de auto-ajuda, na pretensa sofisticação do espiritualismo e na religião de consumo.
- A passagem para o novo milênio
   A transição de século e milênio tem alimentado o sentimento místico e apocalíptico de nossa sociedade.  Surgem muitos profetas do final do mundo, seitas que predizem acontecimentos apocalípticos e movimentos que se aproveitam da ansiedade das pessoas para cativar adeptos incautos.  Com a chegada do terceiro milênio acredita-se que muitas destas pessoas serão tomadas por um sentimento de decepção e frustração, já que as profecias alegadas pelos místicos e esotéricos acabaram por não se cumprir.  Requer-se que a igreja tenha uma palavra profética firme, séria e confiável para consolar e dar esperança em Cristo Jesus a esses órfãos espirituais.
      Em seu livro “Reavivamento satânico”, Mark Bubeck, denuncia o intenso florescimento do satanismo, do misticismo e do esoterismo em nossos dias.  Ele afirma que a única resposta adequada que se pode dar ao inegável reavivamento do satanismo em nossos dias é um poderoso avivamento do Espírito Santo nas igrejas do Senhor Jesus Cristo.
- A aproximação da segunda vinda de Cristo
   É compreensível que, à medida que as profecias bíblicas vão se cumprindo e desenha-se com mais nitidez o cenário para a consumação da história e a volta gloriosa do Senhor Jesus Cristo, o reino das trevas mais se agite e as suas hostes mais reajam percebendo que o seu fim se aproxima.  Um dos sinais críticos da aproximação da volta do Senhor Jesus é a extensa evangelização dos povos que hoje se constata.  Tal realidade provoca uma reação maligna muito exacerbada, intensificando a Batalha Espiritual.  Seria um perigo para a igreja não se aperceber disto.
   Teologias que preocupam
   A doutrina que se relaciona com a Batalha Espiritual tem assumido conotação polêmica nos dias atuais.  Por um lado, há aqueles que negam de modo absoluto a realidade da Batalha Espiritual. Por outro lado, há os que exageram as implicações deste assunto.  Tal radicalização pode gerar distorções em ambos os casos.
- O perigo do exagero
    O primeiro perigo é exagerar as implicações da Batalha Espiritual.  A literatura da ficção sobre o tema tem contribuído para que muitos cristãos se envolvam em um sentimento doentio neste aspecto.  Eles vêem demônios e Batalha Espiritual em tudo.  Andam sempre ansiosos e medrosos.  Ou então, vivem dando socos no ar, imaginando estarem atingindo os demônios.  Alteram o tom, o volume e ritmo de suas orações imaginando com isso torná-las mais eficazes.  Alguns começam a confundir-se, intercalando suas orações a Deus com ordens aos demônios e repreensões às entidades satânicas.
- O perigo da indiferença
   Este é o outro extremo.  Normalmente, acontece porque as pessoas querem evitar o exagero.  Então desconhecem completamente a realidade da Batalha Espiritual e desprezam o ensino da Palavra com relação ao assunto.  Isto resulta em que muitos cristãos, pastores e líderes se sintam despreparados para enfrentarem as lutas espirituais inerentes a vida cristã e à pregação do evangelho.  Em alguns casos, pessoas que necessitam de libertação espiritual são encaminhadas para outros ministérios.  É bem verdade que, em alguns casos, depois de uma ministração básica, é necessário encaminhar a pessoa para alguém que tenha mais experiência e possa ajudá-la mais profundamente.  Entretanto, todo cristão tem autoridade em o nome poderoso do Senhor Jesus Cristo e tem condições de ajudar os oprimidos de Satanás a se libertarem.  Desconhecer a realidade da Batalha Espiritual não é a maneira adequada do cristão reagir.
- O perigo de assumir uma visão neurótica
   Um dos perigos que corremos ao refletir sobre a Batalha Espiritual é assumirmos uma visão neurotizada do assunto.  Assumir um perigoso reducionismo simplista.  Há pessoas que em tudo começam a ver demônios, estão sempre repreendendo maldições e atribuindo a Satanás a culpa por tudo o que acontece.  Muitas pessoas ficaram enfermas na vida espiritual e emocional pela maneira como passaram a acreditar na questão da Batalha Espiritual.
- O perigo de definir doutrinas a partir de experiências pessoais
    Certas pessoas querem impor aos outros as experiências que tiveram em determinada área de sua vida.  Não lhes importa neste caso o que a Bíblia ensina.  Elas estabelecem a própria experiência como padrão e fazem doutrina sobre este fundamento falso.  A partir deste critério inadequado, geram falsos ensinos e perturbam a igreja do Senhor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sinta-se à vontade... Não tenho restrições quanto às criticas, entretanto faça com educação e respeito!!!