domingo, 7 de abril de 2013

"A BATALHA ESPIRITUAL E A VIDA MISSIONÁRIA"

    Lição a ser ministrada pela por Willian Bonifácio em 05 de maio.
   
 Libertação – A Batalha Espiritual em prol de outros
     A Palavra é clara ao nos revelar que aquele que comete pecado é escravo deste e em conseqüência, escravo de Satanás (João 8.35). Sendo assim, a obra missionária passa necessariamente pela libertação.  Com isso não estamos falando de cenas de exorcismo espalhafatosas, mas de ação completa do Poder de Deus libertando vidas para o servirem sem restrições.  Haverá casos em que a simples oração de conversão será suficiente para que uma pessoa seja totalmente liberta para o Senhor.  Mas não devemos ignorar que em muitos outros casos há a necessidade de um verdadeiro processo de libertação para que todas as amarras do inimigo sejam cortadas.
     Há aqueles que defendem que a luta pela libertação dos cativos de Satanás passa por um plano de ataque a nível mais geral.  É a chamada batalha a nível estratégico em que se atua sobre cidades inteiras ou regiões e até países.  Não desvalorizando o trabalho desses irmãos a verdade é que a grande maioria dos missionários é chamada a um trabalho bem mais individual.  É a esse nível que devemos concentrar esforços porque é aí que temos a maior base bíblica para atuar.
     Precisamos compreender a importância da libertação espiritual.  O missionário transcultural vai entrar em regiões que foram dominadas por séculos por hostes malignas.  Há tradições e costumes enraizados que servem de prisão às pessoas.  Essa prisão se manifesta inicialmente na dificuldade das pessoas entenderem e aceitarem o evangelho.  É quase visível o véu que lhes tolda a compreensão das coisas espirituais.  Uma vez porém salvas, estas pessoas ainda carregam muitas coisas de sua vida passada.  Se desprezarmos o processo de libertação estaremos permitindo que o inimigo inutilize o valor desta pessoa no reino.  Será um crente fraco, problemático, que não se desenvolve e que dá mais trabalho ao pastor do que ajuda.  Nesses casos é bem provável que seja preciso um trabalho mais profundo que permita a total libertação dessa pessoa.  Creio que por norma deveríamos partir do princípio que toda pessoa precisa desse processo.  Se ele se revelar desnecessário tanto melhor.  É preferível descobrir que não era preciso a deixar a pessoa sofrendo se necessidade.
     Em seu interessante livro sobre o assunto, “Quebrando correntes”, Neil Anderson afirma: “Antes de ser um confronto entre poderes, a Batalha Espiritual é um confronto entre a verdade e o erro”.  Isto faz muito sentido diante da Palavra do Senhor Jesus em João 8.32: “e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
     O processo de libertação implica em conduzir alguém nas verdades das Sagradas Escrituras, ajudar esta pessoa a conhecer estas verdades e a tomar posse pela fé da liberdade que lhe é assegurada em Jesus Cristo.
     Um dia alguém me perguntou se eu acreditava em casa mal-assombrada.  Respondi que sim.  Naturalmente tenho muitas restrições a esta questão, mas, posso afirmar que já entrei em muitas casas mal-assombradas, tomada de sombras, fantasmas, gemidos, ranger de dentes, queixumes e outras expressões do mal. Famílias onde prevalecem amarguras que atravessam gerações, ódio, indiferença, abuso sexual, violência, mentiras, hipocrisia, adultério e outros males.  É evidente eu Satanás está fazendo um estrago tremendo em uma família com este perfil.  A questão é: como expressar as formas de lidar com assombração: acendam as luzes, exorcizem os fantasmas.  Os demônios não permanecem onde as luzes estão acesas.  Eles têm horror à claridade.  Quero dizer, cultivem a verdade.  A verdade liberta.  Por mais dura que ela seja, não pode ser dispensada.  Quando a luz de Cristo brilha e a verdade das Sagradas Escrituras prevalece, as sombras são dissipadas, os gemidos cessam, os monstros desaparece, os fantasmas se diluem.  E a liberdade reina.
- Não apenas na questão da possessão demoníaca
  Importa considerar que a Batalha Espiritual se trava em várias frentes.  Seria um equívoco imaginar que ela se atenha apenas às dimensões interiores do coração ou da mente humana.  Alguns parecem reduzi-la ao fenômeno da possessão demoníaca, mas esta é apenas uma das frentes em que o inimigo tem atuado na vida das pessoas.  Como veremos adiante, a luta com o reino das trevas trava-se em dimensões muito mais amplas, desde a dimensão cósmica e invisível até as dimensões sociais, culturais e históricas mais constatáveis. 
   Em seu livro “Batalha Espiritual para todo cristão”, Dean Sherman identifica três campos de batalha na vida pessoal do cristão (p. 45ss).  Ele argumenta que o inimigo age estrategicamente bombardeando estas três áreas de nossa vida.  Portanto, temos de fortalecê-las para podermos resistir; são elas: a mente, o coração e os lábios.
- Cuidado com os diagnósticos
   Na questão de ajudar as pessoas que estão em dificuldades, um fator importante é o diagnóstico.  Temos de pedir discernimento ao Senhor para identificarmos com clareza a verdadeira natureza do problema.  É muito perigoso nos precipitarmos no diagnóstico.  Já tenho presenciado casos em que um conselheiro afirma que uma determinada pessoa está com problema de possessão demoníaca, quando mais tarde vai-se perceber que o problema era de natureza emocional, ou até uma fraude determinada por outras motivações pela própria pessoa.  O problema do diagnóstico precipitado é que ele induz a uma abordagem equivocada e a um tratamento inadequado.  Com isto, o conselheiro se distancia da verdadeira questão e a pessoa não pode ser devidamente ajudada.
   Um princípio importante é que o conselheiro espiritual precisa ter a capacidade de observar, ouvir muito e manter o equilíbrio diante das situações mais tensas e estressantes.  Ele tem de sentir os movimentos da pessoa que está sendo ajudada.  E agir de acordo com os indicadores que estes movimentos sinalizam.  E mais, a capacidade de discernir a necessidade espiritual ou emocional de uma pessoa é dada ao conselheiro pelo Espírito Santo de Deus, portanto, o conselheiro tem de manter-se em permanente espírito de oração e dependência do Senhor.
   Por outro lado, nada substitui a vida santificada e a comunhão com Deus.  Um conselheiro cuja vida não esteja em dia com Deus arrisca-se a passar por constrangimentos em uma situação delicada.  Falta-lhe autoridade moral e espiritual para atuar.  Porém, se este for o caso, ele pode e deve imediatamente quebrantar-se diante de Deus e assumir a sua postura de pessoa coberta pela Graça de Jesus, resgatando assim a autoridade que o Senhor lhe garante em o nome precioso e forte do Senhor.
- A importância do inventário espiritual
   O primeiro passo a ser dado nesse processo é um levantamento exaustivo das experiências espirituais dessa pessoa no passado.  O Pr. Neil Anderson em sua obra “Quebrando correntes”, dá um exemplo desse tipo de inventário.  Todo envolvimento com o maligno, seja em que forma for, deve ser revelado e então tratado caso a caso, demore tempo que for preciso.  Esse processo passa pelo reconhecimento da própria pessoa sobre a autoridade que ela tem em Jesus como filha de Deus. Não é um confronto de pessoas.  Não é um caso de exorcismo.  É um trabalho de orientação espiritual em que a pessoa compreende sua nova posição em Cristo, compreende as conseqüências do seu antigo envolvimento com o inimigo e aprende o que fazer para assumir a autoridade que Jesus nos outorgou.
   Exemplo 1:
   Uma mulher na casa dos 40 anos, num contexto latino, criada no catolicismo onde era praticante fiel.  Devido ao seu envolvimento na igreja romana ela fez vários tipos de votos a vários santos, inclusive com sacrifícios físicos envolvidos e derramamento de sangue.  Após sua conversão tinha dificuldades em orar e se desenvolver espiritualmente.  Depois de um tempo de conversa ficou claro que os seus antigos votos na igreja católica tinham sido porta aberta à ação do inimigo em sua vida.  Foram-lhes explicadas as implicações espirituais de seus atos baseado em I Coríntios 10.20.  Ela orou renunciando a todos os seus votos um por um.  Houve um crescimento espiritual muito mais efetivo após isso.
   Exemplo 2:
   Jovem de 20 e poucos anos, africano, de uma família com fortes tradições animistas.  Era herdeiro de feiticeiros e desde sua infância usava vários amuletos e participara de inúmeros rituais tendo sido consagrado a vários espíritos protetores.  Após a conversão e uma alegria inicial natural, passou a mostrar pouco interesse espiritual; faltava muito aos cultos e apresentava uma tristeza incomum.  Não conseguia orar e a Bíblia não lhe fazia sentido, apesar de ouvir as explicações.  Foi feito um inventário espiritual alistando todas as cerimônias de que ele se lembrava.  Orou quebrando todos os pactos.  Desfez-se de todos os amuletos e outras imagens representativas de espíritos.  Passou a testemunhar com vigor e alegria do evangelho. 
   Exemplo 3:
   Senhora de uns 50 anos com muitos anos de Igreja que orava em línguas em todas as reuniões da igreja e manifestava o que ela dizia ser um dom de profecia.  Aos poucos ela foi dominando a igreja e todos a temiam por causa de suas adivinhações, que em regra, se cumpriam.  Depois da chegada de um pastor novo à igreja a situação começou a se mostrar quase impossível de sustentar.  O jovem pastor conversou com a senhora procurando saber quando tivera inicio aquelas manifestações.  A mulher podia descrever exatamente a data e ocasião.  Fora numa reunião em que alguém impusera as mãos sobre ela.  Ficara sem sentidos por vários minutos e ao despertar estava com aqueles “dons”.  O pastor então provou os supostos dons e ficou clara a presença maligna.  A irmã finalmente foi liberta e deixou de falar línguas e adivinhar.  Deixou o orgulho que a caracterizara e passou a se engajar num ministério de libertação.
   Existem milhares de exemplos semelhantes.  Em alguns casos o envolvimento foi pequeno e limitado.  Em outros, devemos estar preparados para um processo longo.  Às vezes é preciso orar para que o Espírito ajude a pessoa a se lembrar de coisas que ela tentou esquecer.  Algumas experiências são muito dolorosas e será necessário ter paciência e muito amor para ajudar a pessoa. Há vários livros que podem dar uma ajuda excelente nessa área.  Cito como referência o livro já mencionado do Pr. Neil Anderson.

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